A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro rompeu o silêncio e publicou nesta quarta-feira (24) dois vídeos de quase 30 minutos detalhando o rompimento com o senador Flávio Bolsonaro.
Michelle afirmou que tentou preservar a família, mas decidiu falar após meses de ataques e notícias falsas.
Michelle Bolsonaro e o relato de conversa telefônica com Flávio
O principal relato envolve uma conversa telefônica em que, segundo ela, Flávio teria sido ríspido, afirmado que ela deveria ficar fora das decisões do partido e dito que ela não entendia de política. Michelle afirmou ter entendido que seu apoio era considerado irrelevante e, por isso, decidiu se afastar.
Ela também criticou a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, defendeu o trabalho realizado à frente do PL Mulher e disse que foi tratada como alguém que ‘chegou ontem’ à política.
Flávio Bolsonaro pede desculpas
Horas depois da divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro respondeu publicamente às acusações. O pré-candidato do PL negou ter desrespeitado ou humilhado a madrasta e afirmou que jamais trataria dessa forma a esposa do próprio pai.
Apesar da negativa, adotou um discurso conciliador e pediu desculpas caso, em algum momento, tenha provocado qualquer ofensa. Flávio afirmou reconhecer o trabalho de Michelle no PL Mulher e disse que tentou retomar o diálogo antes da divulgação do vídeo, convidando a ex-primeira-dama para participar de um encontro de lideranças femininas.
Segundo o senador, ela não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens. Mesmo assim, afirmou manter o convite e defendeu foco na disputa contra Lula.
Pressão no PL para reconciliação antes da campanha
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro ampliou a pressão dentro do PL para que os dois reconstruam a relação antes do início oficial da campanha presidencial. Nos bastidores, aliados avaliam que o episódio atinge um dos principais ativos eleitorais da pré-candidatura de Flávio: o apoio da ex-primeira-dama junto ao eleitorado feminino e evangélico.
Integrantes da campanha reconhecem que Michelle exerce influência sobre lideranças do PL Mulher e pode ajudar a reduzir a resistência ao senador entre as mulheres, segmento em que ele aparece atrás de Lula nas pesquisas.
Lideranças do partido defendem uma solução rápida para evitar novos desgastes e impedir que o conflito interno continue desviando o foco da construção da candidatura presidencial do senador.
Discussão sobre vice mulher na chapa de Flávio
A repercussão da crise também acelerou uma discussão que vinha sendo tratada para uma etapa posterior da campanha: a escolha de uma mulher para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Integrantes da pré-campanha avaliam que a polêmica reforçou a necessidade de ampliar a presença feminina no projeto presidencial e compensar o desgaste provocado pelo afastamento de Michelle Bolsonaro.
Nos bastidores, a estratégia vinha sendo construída desde o início do ano para fortalecer a candidatura entre mulheres, jovens e eleitores moderados. O nome da economista Daniella Marques continua sendo citado entre as possibilidades para integrar a chapa. A deputada Bia Kicis também foi mencionada por Flávio.
A equipe política trabalha para reorganizar a comunicação e tentar recuperar espaço junto ao eleitorado feminino antes das convenções partidárias.














