O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (25) o Relatório de Política Monetária com uma revisão positiva para o crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção do PIB foi elevada de 1,6% para 2,0%, refletindo a surpresa positiva com o resultado do primeiro trimestre, a melhora das perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa e o maior dinamismo da demanda interna.
Mercado de trabalho aquecido e cenário externo desafiador, aponta Banco Central
O documento destaca que o mercado de trabalho permanece resiliente, com desemprego na mínima histórica e crescimento dos salários reais. Ao mesmo tempo, o BC alerta que o cenário externo continua exigindo cautela, especialmente por causa das incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre commodities, ativos financeiros e condições globais de financiamento.
Inflação supera teto da meta e preocupa autoridade monetária
A inflação continua sendo a principal preocupação do Banco Central. O relatório mostra que o IPCA acumulado em doze meses passou de 3,81% em fevereiro para 4,72% em maio, superando o limite superior da meta. Todos os grupos de preços apresentaram pressão no período, com destaque para alimentação no domicílio, combustíveis, serviços e bens industriais.
Segundo o BC, a combinação entre mercado de trabalho aquecido, economia operando acima do potencial e os impactos do conflito no Oriente Médio elevou ainda mais as pressões inflacionárias.
As expectativas até 2028 também pioraram, reforçando o diagnóstico de desancoragem e aumentando o desafio para a política monetária nos próximos trimestres.
Projeções de inflação e trajetória da Selic
O Banco Central reconheceu que a convergência para a meta será mais lenta do que previa anteriormente. O relatório projeta IPCA de 5,2% no fim de 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028, mantendo a inflação acima da meta durante boa parte do horizonte considerado.
A autoridade monetária atribui essa revisão à surpresa com os últimos índices de preços, ao hiato positivo do produto, à alta das commodities e do petróleo e ao aumento das expectativas de inflação. Apesar desse cenário, o BC avaliou que o elevado grau de restrição monetária já acumulado permitiu reduzir a Selic para 14,25% ao ano.
O documento reforça que as próximas decisões continuarão dependentes da evolução dos dados econômicos e fiscais.














