BM&C NEWS
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Subsídios, dívida e a geometria do poder industrial chinês

Fabio OngaroPor Fabio Ongaro
18/12/2025

No centro da nova divisão internacional da produção, a China opera com uma engenharia econômica própria: ao invés de separar mercado e Estado, funde ambos em um único corpo estratégico. Os números revelam o tamanho da operação. Em 2024, o governo chinês destinou cerca de US$ 33 bilhões em subsídios diretos a empresas listadas, segundo dados compilados pela Wind e pelo WSJ. Considerando crédito subsidiado, incentivos fiscais, terrenos descontados e energia abaixo do custo, o apoio estatal representa hoje entre 3% e 5% do PIB chinês, segundo estimativas do CSIS.

O modelo chinês não se limita a injetar recursos. Ele seleciona setores estratégicos, canaliza investimentos por meio de fundos soberanos e constrói campeões nacionais com acesso privilegiado a crédito e infraestrutura. Desde 2014, o “Big Fund” voltado para semicondutores já mobilizou mais de US$ 98 bilhões em três rodadas. Em maio de 2024, a terceira fase foi lançada com 344 bilhões de yuans (US$ 47,5 bilhões). Um novo fundo paralelo voltado à inteligência artificial recebeu 60 bilhões de yuans em abril de 2025.

O caso da CATL, maior fabricante global de baterias, ilustra bem a lógica: em 2023, a empresa recebeu US$ 790 milhões em subsídios diretos. A YMTC, voltada à produção de chips, acumulou US$ 2,9 bilhões entre 2020 e 2023. Essas empresas não apenas lideram seus mercados, como integram uma estratégia nacional de substituição de importações e liderança tecnológica.

Por trás do impulso produtivo, há uma engrenagem de financiamento poderosa. O crédito bancário chinês está profundamente interligado ao aparato estatal. Em 2023, a fabricante de chips SMIC obteve financiamento a 2,1% ao ano, enquanto a taxa de referência estava em 4,2%. Bancos como o China Development Bank e o Export-Import Bank of China funcionam como extensões do planejamento central, direcionando capital com objetivos industriais.

Aos bancos se somam os LGFVs (Local Government Financing Vehicles), entidades ligadas a governos provinciais que operam como braços fiscais fora do orçamento. Esses veículos acumulavam, até o fim de 2024, entre US$ 7 e 11 trilhões em dívidas, segundo a S&P. Boa parte dessas dívidas, embora tecnicamente off-balance, contam com garantias implícitas do Estado, o que amplia a exposição fiscal total do país. Cerca de US$ 800 bilhões são considerados de alto risco de calote.

Leia Mais

FACHADA DO BANCO MASTER

Banco Master: a falência que colocou as instituições no centro da crise

23 de janeiro de 2026
142 metros quadrados, 3 quartos, suíte e varanda em um projeto de casa urbana contemporânea com iluminação e ventilação natural

142 metros quadrados, 3 quartos, suíte e varanda em um projeto de casa urbana contemporânea com iluminação e ventilação natural

23 de janeiro de 2026

Dívida corporativa em níveis históricos

Combinando dívida corporativa, LGFVs e crédito a governos locais, o total da dívida do setor não financeiro chegou a 286% do PIB no terceiro trimestre de 2024. Só a dívida corporativa representa 172% do PIB. Em termos absolutos, a China detém 38% de toda a dívida corporativa dos mercados emergentes, segundo o BIS. Esse nível de endividamento é o mais elevado entre os países do G20.

Mas o modelo tem limites. A produtividade marginal do crédito vem em queda contínua. Em 2008, cada yuan emprestado gerava 0,8 yuan de PIB. Em 2025, esse multiplicador caiu para 0,27. Segundo a Moody’s, muitas empresas estatais operam com dívida líquida superior a 15 vezes o EBITDA, refletindo baixa eficiência alocativa.

Reação internacional e escalada tarifária

A resposta internacional ao avanço industrial subsidiado foi rápida. Em 2024, os Estados Unidos elevaram as tarifas sobre veículos elétricos chineses para 100%. A União Europeia impôs sobretaxas de até 38%, após uma investigação detalhada sobre práticas desleais. Além dos carros, painéis solares, turbinas eólicas e produtos químicos chineses também passaram a enfrentar barreiras. Para Bruxelas e Washington, o que está em jogo é a integridade das regras da OMC e a sobrevivência da indústria local.

Pequim rebateu as acusações com argumentos previsíveis: nega dumping, afirma que os subsídios são compatíveis com suas obrigações multilaterais e acusa o Ocidente de protecionismo disfarçado de regulação verde. Na prática, a China inicia uma fase em que a sua estratégia de política industrial, antes admirada, passou a ser confrontada diretamente.

A política fiscal do governo central também foi posta à prova. Embora o déficit oficial para 2025 tenha sido fixado em RMB 5,66 trilhões (US$ 780 bilhões), analistas do Rhodium Group estimam que o déficit real, incluindo as operações com LGFVs, possa chegar a RMB 13,6 trilhões (US$ 1,9 trilhão). Diante disso, Pequim aprovou um plano extraordinário de refinanciamento de dívidas locais no valor de RMB 6 trilhões (US$ 839 bilhões), com vigência entre 2024 e 2026.

A China se vê, portanto, diante de um dilema: reduzir o apoio estatal implica risco social, desaceleração industrial e possível aumento do desemprego urbano. Manter o modelo, por outro lado, amplia distorções, tensiona o comércio global e adia uma reforma estrutural da eficiência econômica.

O que está em jogo

Há sinais de que uma transição parcial está sendo considerada. O governo central iniciou a revisão de critérios para acesso a subsídios, promoveu auditorias nos fundos locais e busca fortalecer o papel dos mercados de capitais como fonte alternativa de financiamento. Mas essas reformas são graduais e enfrentam resistência de governos provinciais e setores dependentes do crédito público.

O modelo de crescimento da China foi, durante décadas, uma alavanca de ascensão global. Hoje, ele passa por um estresse estrutural. A questão não é apenas de eficiência econômica, mas de legitimidade internacional. A resposta a esse dilema definirá não só o futuro da política industrial chinesa, mas o equilíbrio das cadeias produtivas globais e a arquitetura comercial do século XXI.

*Coluna escrita por Fabio Ongaro, economista e empresário no Brasil, CEO da Energy Group e vice-presidente de finanças da Camara Italiana do Comércio de São Paulo – Italcam

As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

Leia mais colunas do autor aqui.

Leia

Engie, União Pet, Celesc e Movida: ajustes, M&A e crédito movimentam o cenário corporativo

Mercado monitora PMIs e inflação nos EUA enquanto fluxo externo fortalece ativos brasileiros

CORPORATIVO
MERCADOS

Engie, União Pet, Celesc e Movida: ajustes, M&A e crédito movimentam o cenário corporativo

23 de janeiro de 2026

O noticiário corporativo desta semana reúne uma série de movimentos relevantes envolvendo empresas listadas na B3 e companhias internacionais, com...

Leia maisDetails
XP
EMPRESAS E NEGÓCIOS

XP teria trocado participação no Will Bank por CDBs do Banco Master em 2024

22 de janeiro de 2026

A XP Investimentos teria deixado o capital do Will Bank em 2024 por meio de uma operação que envolveu a...

Leia maisDetails
PF INVESTIGA MASTER
EMPRESAS E NEGÓCIOS

PF faz operação contra a Rioprevidência por aplicações no Banco Master

23 de janeiro de 2026
CORPORATIVO
MERCADOS

Engie, União Pet, Celesc e Movida: ajustes, M&A e crédito movimentam o cenário corporativo

23 de janeiro de 2026
MERCADO FINANCEIRO
MERCADOS

Mercado monitora PMIs e inflação nos EUA enquanto fluxo externo fortalece ativos brasileiros

23 de janeiro de 2026
Créditos: depositphotos.com / casadaphoto
MERCADOS

O rali não acabou: Ibovespa renova máximas com fluxo estrangeiro

23 de janeiro de 2026

Leia Mais

PF INVESTIGA MASTER

PF faz operação contra a Rioprevidência por aplicações no Banco Master

23 de janeiro de 2026

A Polícia Federal (PF) faz, na manhã desta sexta-feira (23), a Operação Barco de Papel, onde investiga suspeita de operações...

CORPORATIVO

Engie, União Pet, Celesc e Movida: ajustes, M&A e crédito movimentam o cenário corporativo

23 de janeiro de 2026

O noticiário corporativo desta semana reúne uma série de movimentos relevantes envolvendo empresas listadas na B3 e companhias internacionais, com...

MERCADO FINANCEIRO

Mercado monitora PMIs e inflação nos EUA enquanto fluxo externo fortalece ativos brasileiros

23 de janeiro de 2026

O mercado financeiro inicia o dia nesta sexta-feira (23) com atenção concentrada nos PMIs preliminares de janeiro, divulgados pela S&P...

Créditos: depositphotos.com / casadaphoto

O rali não acabou: Ibovespa renova máximas com fluxo estrangeiro

23 de janeiro de 2026

O Ibovespa voltou a registrar um pregão de forte valorização nesta quinta-feira (22/01/2026), ampliando o movimento de alta iniciado na...

FISCAL NO RADAR

“O fiscal explica por que os juros seguem tão elevados”, avalia especialista

23 de janeiro de 2026

Mesmo em um ambiente de juros elevados, incertezas em relação ao fiscal e ruídos geopolíticos, o Ibovespa tem mostrado resiliência....

Foto:. Divulgação

Kepler Weber implanta unidade de beneficiamento de milho branco na Venezuela

22 de janeiro de 2026

A Kepler Weber (KEPL3) anunciou um dos projetos internacionais de maior relevância da companhia nos últimos 15 anos, voltado à implantação...

Foto: rafapress

Ibovespa a 200 mil pontos? Especialista da Eleven faz projeção para o índice

22 de janeiro de 2026

O Ibovespa pode se aproximar da marca dos 200 mil pontos em 2026, impulsionado principalmente pela perspectiva de queda dos...

ARRECADAÇÃO FEDERAL

Arrecadação federal bate recorde em 2025 e soma R$ 2,88 trilhões

22 de janeiro de 2026

A arrecadação federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 2,88 trilhões em 2025, informou nesta quinta-feira (22) a...

Pesquisa futura mostra cenário eleitoral

Lula perde em todos os cenários de 2º turno, mostra pesquisa Futura

23 de janeiro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em desvantagem em quase todos os cenários de segundo turno testados pela...

POLARIZAÇÃO POLÍTICA É TEMA DO BM&C TALKS

Polarização política vira identidade e afasta espaço para a moderação, diz especialista

23 de janeiro de 2026

A polarização política deixou de ser apenas um embate entre ideias e propostas e passou a operar como identidade social,...

Veja mais

COPYRIGHT © 2025 BM&C NEWS. TODO OS DIREITOS RESERVADOS.

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar

Adicionar nova lista de reprodução

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA

COPYRIGHT © 2025 BM&C NEWS. TODO OS DIREITOS RESERVADOS.