O Ibovespa voltou a subir nesta terça-feira (2), encerrando uma sequência de cinco sessões consecutivas de queda. O principal índice da Bolsa brasileira fechou em alta de 1,16%, aos 174.197,10 pontos, com avanço de 1.999,64 pontos.
O movimento positivo foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho de Vale (VALE3), siderúrgicas e bancos, além do ambiente externo mais favorável para ações de tecnologia nos Estados Unidos.
O dólar comercial também voltou a cair frente ao real, encerrando o dia em baixa de 0,27%, cotado a R$ 5,009. Já os juros futuros operaram de forma mista, com avanço na ponta longa da curva.
Novo tarifaço dos EUA gera cautela
O mercado iniciou o dia reagindo à proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As justificativas apresentadas pelas autoridades americanas incluem críticas relacionadas ao Judiciário brasileiro, ao Pix, ao combate à corrupção, à propriedade intelectual, ao etanol e ao desmatamento.
Apesar da reação inicial negativa, investidores reduziram parte da cautela após a divulgação de uma extensa lista de exceções elaborada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que excluiu setores estratégicos da nova cobrança tarifária.
Entre os segmentos preservados estão aeronaves civis, medicamentos, fertilizantes, terras raras, suco de laranja e café, reduzindo parte do impacto esperado sobre as exportações brasileiras. Ainda assim, setores como aço, alumínio, carne bovina, calçados e têxteis seguem mais expostos às medidas americanas.
O governo brasileiro classificou a decisão como política e afirmou enxergar espaço para negociações com Washington. O tema também provocou repercussões no cenário político doméstico, ampliando as tensões entre integrantes do governo e figuras da oposição.
Vale, siderúrgicas e bancos impulsionam Bolsa
As ações da Vale (VALE3) avançaram 4,04% e lideraram os ganhos entre os papéis de maior peso do índice. O setor siderúrgico também teve forte desempenho após revisões envolvendo tarifas sobre aço nos Estados Unidos.
CSN (CSNA3) subiu 8,85%, enquanto Gerdau (GGBR4) avançou 5,53% e Usiminas (USIM5) disparou 8,57%.
Os grandes bancos também contribuíram para o avanço do índice. Bradesco (BBDC4) ganhou 1,52%, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,51% e Santander (SANB11) avançou 0,55%. Apenas Banco do Brasil (BBAS3) fechou em queda de 0,35%.
Entre outros destaques, Rede D’Or (RDOR3) avançou 1,12%, enquanto os frigoríficos operaram sem direção única em meio aos impactos das tarifas americanas e ao reconhecimento do Brasil pela China como país livre de febre aftosa sem vacinação.
Na ponta negativa, Petrobras (PETR4) caiu 0,49%, mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional e o anúncio de novo recorde de produção local em abril.
Wall Street amplia recordes
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram mais uma sessão em alta, ampliando os recordes recentes impulsionados pelas ações de tecnologia, especialmente empresas ligadas a semicondutores e inteligência artificial.
Na Europa, as bolsas também fecharam em alta, enquanto a inflação na zona do euro atingiu 3,2% em maio na comparação anual, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu.














