A melhora recente nos dados de inflação dos Estados Unidos chegou a trazer alívio ao mercado. Mas a combinação entre petróleo perto de US$ 90, escalada geopolítica e novas tarifas comerciais voltou a colocar o Federal Reserve em posição mais desconfortável. A discussão agora não é apenas se a inflação cedeu, mas se novos choques podem obrigar o banco central americano a manter um discurso duro por mais tempo.
Em entrevista à BM&C News, Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, afirmou que a alta recente do petróleo muda o balanço de riscos para o Fed. Segundo ela, os últimos números de inflação, tanto do CPI quanto do PCE, vinham em direção mais favorável, mas a escalada no preço da commodity recoloca pressão sobre a autoridade monetária.
“Essa escalada recente e o petróleo voltando a bater US$ 90, o barril de fato bota pressão de novo no Fed”, disse Juliana Benvenuto.
A leitura é relevante porque o Fed vinha tentando equilibrar dois sinais distintos: de um lado, indicadores recentes de inflação mais positivos; de outro, riscos de novas pressões de custos, principalmente energia e tarifas. Para Juliana, uma alta de juros já na próxima reunião ainda parece menos provável, mas o debate para setembro continua vivo.
A especialista destacou que o banco central americano deve precisar de mais informações antes de antecipar um novo movimento de alta. O comportamento da inflação nos próximos meses e a evolução da guerra entre Estados Unidos e Irã serão determinantes para saber se o choque atual será temporário ou mais persistente.
“Com certeza a pressão pra reunião de setembro segue muito forte”, afirmou Juliana.
As tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump também entram nessa conta, mas com impacto mais limitado, segundo a avaliação da coordenadora da Avenue. Embora medidas protecionistas possam elevar custos para empresas e consumidores, Juliana afirmou que o governo americano buscou preservar setores mais sensíveis por meio de isenções.
Na visão dela, esse desenho reduz o risco de uma pressão relevante sobre os índices de preços nos Estados Unidos. O mesmo vale para o Brasil: as tarifas podem atingir segmentos específicos, mas não devem alterar de forma significativa as projeções de inflação ou crescimento.
“Não deve ter uma mudança muito significativa na inflação americana por conta dessas tarifas”, disse Juliana Benvenuto.
Para os investidores, o ponto central é que o ambiente ficou menos linear. Juros americanos mais altos por mais tempo podem pressionar o dólar, afetar ativos de risco e tornar a renda fixa dos Estados Unidos mais atrativa. Ao mesmo tempo, a volatilidade dificulta decisões de curto prazo e aumenta o risco de movimentos mal calibrados na carteira.
Juliana avaliou que, em momentos como esse, o investidor tende a procurar “a bola da vez”, mas essa estratégia pode ser prejudicial quando o cenário muda rapidamente. Para ela, a construção de uma carteira deve partir do perfil do investidor, dos objetivos de longo prazo e de uma visão mais estrutural de alocação.












