O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (3) em forte alta frente ao real, refletindo o avanço da moeda norte-americana nos mercados internacionais após a intensificação dos conflitos entre Estados Unidos e Irã. A busca por ativos considerados mais seguros também ganhou força antes do feriado de Corpus Christi no Brasil.
A moeda norte-americana à vista fechou o dia com valorização de 1,12%, cotada a R$ 5,0661. Apesar da alta da sessão, o dólar ainda acumula queda de 7,70% frente ao real em 2026.
No mercado futuro, o contrato para julho, atualmente o mais negociado na B3, avançou 1,12%, encerrando o pregão a R$ 5,0975. O movimento acompanhou o fortalecimento global da moeda norte-americana em meio ao aumento das incertezas geopolíticas.
Escalada militar impulsiona busca por segurança
Os investidores reagiram a novos episódios de tensão no Oriente Médio. Na terça-feira, forças dos Estados Unidos lançaram um míssil contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã. Em resposta, o governo iraniano realizou ataques com mísseis contra o Kuweit e o Barein, embora os projéteis não tenham atingido seus alvos.
O aumento das dúvidas sobre uma possível negociação entre Washington e Teerã impulsionou a procura pelo dólar em escala global. A moeda norte-americana avançou não apenas frente ao real, mas também diante de outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e a rupia indiana.
Tarifas dos EUA ampliam pressão sobre o real
No mercado doméstico, a pressão sobre o câmbio ganhou intensidade ao longo da tarde após novas informações relacionadas à política comercial dos Estados Unidos. O Escritório de Comércio dos EUA (USTR) defendeu uma tarifa de 25% sobre diversas exportações brasileiras.
Além disso, o órgão propôs uma cobrança adicional entre 10% e 12,5% para países considerados falhos no combate ao trabalho forçado. No caso do Brasil, a tarifa sugerida seria de 12,5%.
Embora as medidas ainda dependam de aprovação, o mercado interpretou as propostas como um sinal negativo para as relações comerciais entre os dois países. O ambiente já vinha sendo afetado por outras decisões recentes de Washington, incluindo a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Com a combinação de tensões geopolíticas, incertezas comerciais e busca por proteção antes do feriado, o real registrou o pior desempenho entre as principais moedas acompanhadas pelos investidores nesta sessão.














