A indústria da construção civil brasileira registrou deterioração nas condições financeiras no primeiro trimestre de 2026, em meio à alta dos custos de insumos e à restrição no acesso ao crédito, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O cenário reflete a combinação de pressão sobre custos, juros elevados e dificuldade de financiamento, fatores que seguem limitando a expansão do setor.
Alta de insumos intensifica pressão sobre custos
O índice de preços de matérias-primas avançou 6,8 pontos na comparação com o quarto trimestre de 2025, atingindo 68,4 pontos, o que indica percepção disseminada de encarecimento entre os empresários da construção.
De acordo com a CNI, o movimento está relacionado, entre outros fatores, à elevação recente dos combustíveis em meio a tensões geopolíticas, impactando diretamente a cadeia produtiva do setor.
Crédito segue restrito e limita novos projetos
O acesso ao crédito continua sendo um dos principais entraves para a atividade. O índice de facilidade de crédito recuou de 39 para 37,7 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos, que separa condições favoráveis de desfavoráveis.
Na prática, o dado indica maior dificuldade para financiar novos empreendimentos, o que tende a limitar o ritmo de lançamentos ao longo dos próximos meses.
Margens pressionadas e piora na situação financeira
A deterioração do ambiente financeiro também se reflete nos resultados das empresas. O índice de satisfação com o lucro operacional caiu de 45,1 para 41,3 pontos, enquanto o indicador de satisfação com a situação financeira recuou para 45 pontos.
Os níveis abaixo de 50 pontos indicam insatisfação generalizada, refletindo compressão de margens e menor capacidade de geração de caixa.
Expectativas seguem cautelosas
As perspectivas para os próximos meses mostram moderação. O índice de expectativa de emprego ficou em 48,8 pontos, enquanto a previsão para novos empreendimentos atingiu 49 pontos — ambos indicando tendência de retração.
Por outro lado, os indicadores de nível de atividade (51,9 pontos) e de compras de insumos (51,5 pontos) permanecem acima da linha de 50 pontos, sugerindo alguma resiliência no curto prazo.
Intenção de investimento ainda é limitada
A intenção de investimentos subiu para 43,4 pontos, mas segue abaixo do nível considerado ideal, indicando cautela das empresas diante do cenário macroeconômico desafiador.
Segundo a CNI, a combinação de juros elevados, custos crescentes e crédito restrito mantém o setor pressionado, com recuperação ainda dependente de melhora nas condições financeiras ao longo de 2026.














