O Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho no Brasil, tem peso que vai além da troca de presentes. A data, associada ao consumo de itens como cosméticos, roupas, calçados, flores e presentes, segue relevante para o varejo e ajuda a medir o comportamento do consumidor em um cenário de orçamento mais apertado.
De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), o varejo da cidade de São Paulo deve crescer 5,1% na data. O desempenho esperado reforça o papel das datas comemorativas como impulsionadoras de vendas em períodos específicos do ano.
Origem comercial do Dia dos Namorados no Brasil
No Brasil, o Dia dos Namorados não é comemorado em fevereiro, como ocorre em outros países no Dia de São Valentim. A escolha de junho tem relação direta com o varejo.
A comemoração foi criada em 1948, a partir de uma campanha idealizada por João Dória, pai do ex-governador de São Paulo. A proposta era estimular as vendas de uma loja de departamentos em um mês tradicionalmente mais fraco para o comércio.
A data escolhida foi a véspera do Dia de Santo Antônio, celebrado em 13 de junho e conhecido no Brasil como o “santo casamenteiro”. A combinação entre apelo afetivo e estratégia comercial ajudou a transformar o Dia dos Namorados em uma das principais datas do calendário varejista.
Consumo deve movimentar R$ 23 bilhões
O Dia dos Namorados deve levar 96 milhões de consumidores às compras e movimentar R$ 23 bilhões no comércio, segundo pesquisa da CNDL/SPC Brasil. O levantamento mostra que cerca de 59% dos brasileiros pretendem presentear na data.
O valor médio de gasto por presente é de R$ 238. Entre os itens mais procurados estão cosméticos, roupas e calçados, categorias diretamente ligadas ao varejo físico e ao comércio eletrônico.
A pesquisa também aponta que 57% dos consumidores devem comprar em lojas físicas, enquanto 33% devem optar pelas compras online. O dado mostra que a data movimenta diferentes canais de venda, com impacto tanto para o comércio tradicional quanto para plataformas digitais.
Formas de pagamento entram no radar
Além do volume de compras, o Dia dos Namorados também mostra mudanças no uso dos meios de pagamento. Segundo o levantamento, as principais formas de pagamento serão à vista, com 65%, cartão de crédito parcelado, com 31%, e PIX, com 27%.
Esses dados são acompanhados pelo mercado porque ajudam a indicar como o consumidor pretende organizar o orçamento. O pagamento à vista pode mostrar maior cautela com endividamento, enquanto o uso do cartão parcelado segue relevante em compras de maior valor ou em períodos de renda pressionada.
Mesmo com contas em atraso para 32% dos consumidores e orçamento apertado, a data continua mobilizando compras. Isso mostra que datas comemorativas seguem influenciando decisões de consumo, mesmo em um ambiente de restrição financeira.
Por que a data importa para a economia?
Para investidores e empresas, o Dia dos Namorados funciona como um termômetro do varejo. O desempenho da data pode sinalizar tendências de consumo em segmentos como vestuário, beleza, calçados, presentes, meios de pagamento e comércio eletrônico.
Além disso, o comportamento do consumidor em datas sazonais ajuda a avaliar o fôlego do comércio em meio a fatores como renda, crédito, inflação e endividamento. Por isso, mais do que uma celebração, o Dia dos Namorados também é observado como um indicador de atividade econômica no varejo.

