O avanço dos influenciadores de finanças nas redes sociais passou a ocupar espaço relevante na formação dos investidores brasileiros. No Papo de Dinheiro, da BM&C News, Amanda Brun, diretora de marketing e CMO da ANBIMA, avaliou que esse movimento ampliou o acesso à informação, mas também aumentou a necessidade de o público observar a qualidade e a responsabilidade do conteúdo consumido.
Segundo Amanda, a ANBIMA acompanha de forma contínua o que é publicado sobre finanças e investimentos nas plataformas digitais desde 2020. Esse monitoramento permite analisar não apenas o cenário atual, mas também a evolução do mercado de influência financeira nos últimos anos.
“A gente faz um monitoramento 24×7 de tudo que se fala sobre finanças e investimentos nas redes sociais. Isso desde 2020”, explica Amanda Brun.
Crescimento dos criadores amplia o acesso à informação
O levantamento citado pela executiva mostra que o número de criadores dedicados a finanças e investimentos cresceu de forma expressiva. Atualmente, a ANBIMA monitora 904 influenciadores, em um universo que se tornou mais diverso em formatos, temas e perfis de público.
Essa expansão fez com que diferentes nichos passassem a ser atendidos por conteúdos especializados. Há influenciadores focados em fundos de investimento, ações, renda fixa, criptoativos, derivativos e recomendações, o que amplia o alcance da educação financeira, mas também exige mais atenção sobre a origem das informações.
“O número de influenciadores que falam de finanças e investimentos nas redes sociais cresceu muito. Quase 300%. Hoje a gente monitora 904 influenciadores”, afirma Amanda Brun.
Linguagem simples aproxima investidores do mercado
A entrada desses criadores ajudou a traduzir temas considerados técnicos pela indústria financeira para uma linguagem mais próxima do público. Para a executiva, esse foi um dos principais fatores que permitiram levar discussões sobre investimentos e finanças pessoais a uma audiência mais ampla.
Ainda assim, a simplificação da linguagem não elimina a necessidade de responsabilidade. Amanda destacou que temas ligados a dinheiro exigem cuidado, especialmente quando o conteúdo ultrapassa a explicação geral e passa a orientar escolhas financeiras do investidor.
“Os influenciadores tiveram e ainda tem um papel fundamental de aproximar as pessoas dos investimentos do mundo das finanças com essa linguagem mais simples”, observa Amanda Brun.
Certificação ganha peso na avaliação de confiança
A certificação aparece como um ponto central nesse debate. De acordo com Amanda, determinadas atividades no mercado financeiro exigem qualificação específica, especialmente quando envolvem recomendação de investimentos, análise de ativos ou orientação direta ao público.
Ela ponderou que nem todo conteúdo financeiro exige certificação, já que relatos de experiência e explicações gerais também podem ser legítimos. O ponto de atenção está na fronteira entre compartilhar uma vivência e induzir o investidor a tomar determinada decisão financeira.
“Para você ouvir recomendações, para você ouvir sugestões sobre o seu dinheiro, procure alguém que esteja capacitado para isso”, ressalta Amanda Brun.
Investidor precisa avaliar fontes e promessas
Para Amanda, o investidor deve assumir uma postura mais crítica diante do conteúdo financeiro consumido nas redes sociais. Isso inclui verificar quem está falando, qual é a qualificação da pessoa, se há certificação, experiência relevante ou equipe técnica por trás da produção do conteúdo.
A executiva também alertou para promessas de ganhos rápidos, retornos elevados em pouco tempo e soluções aparentemente simples para construir patrimônio. Segundo ela, o processo de investimento exige disciplina, consistência e compreensão dos objetivos pessoais de cada investidor.
“Não existe caminho fácil para ganhar dinheiro. Existe consistência, persistência e um aprendizado contínuo”, pontua Amanda Brun.













