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Copom corta Selic para 14,25%, mas freia apostas em novas quedas

Decisão foi unânime, mas Banco Central alertou para inflação elevada, expectativas desancoradas e riscos externos relacionados ao conflito no Oriente Médio

Renata NunesPor Renata Nunes
18/06/2026

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A decisão foi amplamente esperada pelo mercado, mas o comunicado trouxe uma mensagem de cautela diante do cenário econômico atual.

O Copom reconheceu que a inflação continua distante da meta, que as expectativas seguem elevadas e que a atividade econômica mostrou mais força do que o previsto.

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O Banco Central também destacou o aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente em função das tensões no Oriente Médio.

Inflação desancorada preocupa Copom

O Banco Central admitiu que o quadro inflacionário se deteriorou desde a última reunião. Segundo o comunicado, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e se afastaram ainda mais da meta. As expectativas do mercado também continuam desancoradas.

A pesquisa Focus mostra projeções de inflação de 5,3% para 2026 e 4,1% para 2027, ambos acima do objetivo perseguido pela autoridade monetária. Além disso, a projeção do próprio Copom para o fim de 2027 está em 3,7%, também acima da meta.

Mesmo diante desse quadro, o comitê decidiu seguir com o processo de redução dos juros, mas sem assumir compromisso com os próximos passos da política monetária.

Conflito no Oriente Médio entra no radar do BC

O conflito no Oriente Médio também ganhou destaque na avaliação do Banco Central sobre o cenário econômico. O comunicado afirma que a indefinição sobre os acordos para encerrar os confrontos mantém elevada a volatilidade nos mercados globais e pode afetar diretamente os preços de ativos e commodities.

Entre os riscos de alta para a inflação, o Copom citou choques relacionados ao petróleo e seus derivados, além de possíveis impactos climáticos sobre a produção agrícola e os custos de energia.

A avaliação é de que esses fatores podem gerar efeitos secundários sobre a inflação e dificultar o trabalho da política monetária.

Economia resiliente e preocupação fiscal

O Copom destacou que a economia brasileira apresentou aceleração no primeiro trimestre do ano, com setores mais ligados ao ciclo econômico ganhando força e mercado de trabalho ainda resiliente. Para o Banco Central, o desempenho da atividade reforça que a demanda segue aquecida, mesmo após um longo período de juros elevados.

O comunicado também trouxe preocupação com a política fiscal. O comitê afirmou que continua acompanhando os impactos das decisões fiscais sobre os ativos financeiros e sobre a condução da política monetária.

Além disso, incluiu no balanço de riscos a possibilidade de estímulos ao consumo manterem a economia crescendo acima do potencial.

Sem compromisso com próximas decisões

A redução da Selic para 14,25% ao ano foi aprovada por unanimidade pelos integrantes do Comitê de Política Monetária. Apesar do consenso na decisão, o Banco Central evitou qualquer compromisso em relação às próximas reuniões.

O comunicado afirma que a magnitude total do ciclo de calibração dos juros será definida à luz das novas informações econômicas.

Na prática, a autoridade monetária deixou em aberto tanto a possibilidade de novos cortes quanto uma eventual pausa no processo de flexibilização.

Especialistas veem corte com comunicação cautelosa

Na avaliação de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, o Copom fez um diagnóstico correto ao reconhecer a piora da inflação, a força da atividade econômica no primeiro trimestre e as incertezas do cenário externo.

Mesmo assim, o economista avalia que o Banco Central encontrou espaço para seguir com a flexibilização monetária diante do atual grau de aperto da Selic.

“O Comitê faz um diagnóstico correto, cita o cenário externo com as suas incertezas, avalia a atividade econômica no primeiro trimestre como forte, devido a itens cíclicos, pontua que a inflação corrente piorou”, afirmou Cardoso.

Segundo ele, a comunicação do Banco Central está alinhada ao cenário do Daycoval, que prevê continuidade do ciclo em ritmo de 0,25 ponto percentual por reunião, levando a Selic para 13,25% ao ano no fim de 2026.

Já Caio Megale, economista-chefe da XP, avaliou que o comunicado trouxe elementos hawkish, apesar da redução da Selic.

Para ele, ao reconhecer aceleração da atividade e da inflação, além da piora nas projeções para o IPCA, o Copom sinalizou que o espaço para cortes adicionais está limitado.

“O comunicado pós-reunião trouxe elementos hawkish, à medida que o Comitê reconheceu que a atividade econômica e a inflação estão acelerando, e suas projeções se afastaram ainda mais da meta de 3,0%”, afirmou Megale.

A XP projeta mais um corte de 0,25 ponto percentual em agosto, levando a Selic para 14,00% ao ano, mas considera que uma pausa no patamar atual de 14,25% também é uma possibilidade relevante.

Na visão de Leonardo Costa, economista do ASA, o Copom adotou uma comunicação dura na leitura do cenário, mas manteve aberta a possibilidade de novos cortes.

Para ele, a mudança do horizonte relevante e a referência à inflação mais próxima da meta no primeiro trimestre de 2028 deram flexibilidade ao Banco Central.

“O Copom entregou um corte de 25 bps, mas, a despeito de sua leitura mais dura no cenário e nas projeções, segue intencionalmente ambíguo na sinalização de seus próximos passos”, afirmou Costa.

Segundo o economista, o comunicado reforça riscos importantes, como inflação elevada, expectativas desancoradas, atividade acima do potencial e incertezas fiscais e externas, mas preserva “máxima opcionalidade” para as próximas reuniões.

BANCO CENTRAL DO BRASIL

Créditos: depositphotos.com / dabldy

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