O Federal Reserve, Fed, manteve os juros dos Estados Unidos inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, em decisão unânime anunciada nesta quarta-feira (17). Esta foi a primeira reunião de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, novo presidente do Fed, e marcou a quarta manutenção da taxa básica americana neste ano.
A atenção dos investidores se volta agora para a coletiva de imprensa de Warsh, marcada para 15h30, no horário de Brasília. O mercado espera possíveis sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária, em meio aos desdobramentos do acordo preliminar de paz no Oriente Médio.
Fed mantém juros: veja os detaques do comunicado
No comunicado, o FOMC afirmou que a decisão foi tomada em apoio ao duplo mandato do Federal Reserve, que envolve a busca por estabilidade de preços e máximo emprego.
O colegiado também reafirmou a política de manter reservas amplas no sistema bancário.
Segundo o Fed, a atividade econômica dos Estados Unidos segue em expansão em ritmo sólido, apesar do ambiente de elevada incerteza, parcialmente associado ao conflito no Oriente Médio.
O comunicado destacou ainda que o crescimento da produtividade e o investimento de capital permanecem fortes, enquanto a criação de empregos acompanhou a expansão da força de trabalho e a taxa de desemprego teve pouca variação.
Análise do especialista
Na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista, a decisão do Fed veio em linha com o esperado pelo mercado, mas o principal sinal ficou no gráfico de pontos. Segundo ele, a mediana das projeções passou a indicar manutenção dos juros até o fim do ano, sem expectativa predominante de novos cortes no curto prazo.
Cruz destacou que parte dos dirigentes ainda vê espaço para alta de juros, enquanto apenas uma minoria projeta corte em 2026. Para o estrategista, a piora na projeção de inflação, de 2,7% para 3,6% neste ano, reforça a cautela do banco central, embora a normalização das tensões no Oriente Médio possa reabrir a discussão sobre cortes mais adiante.














