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Copom reduz Selic para 14,25%, na terceira queda consecutiva de 2026

Banco Central corta taxa básica de juros pela terceira reunião seguida, mas mantém tom de cautela diante da inflação e do cenário externo

Maurílio GoeldnerPor Maurílio Goeldner
17/06/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão dá continuidade ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em março, mas mantém a taxa básica de juros em patamar elevado.

No comunicado, o Banco Central afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. O colegiado também reforçou que, sem prejuízo do objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, a redução dos juros contribui para suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

Apesar do novo corte, o Copom manteve tom cauteloso. O Comitê destacou que a condução da política monetária seguirá condicionada à evolução dos dados econômicos, das expectativas de inflação, do cenário externo e dos riscos para os preços. A sinalização será acompanhada de perto pelo mercado, que busca entender se ainda há espaço para novas reduções da Selic nas próximas reuniões.

A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito, reduzir o consumo e conter pressões sobre os preços. Por outro lado, cortes na taxa básica podem estimular a atividade econômica ao baratear financiamentos e melhorar as condições para empresas e consumidores.

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Trajetória recente da Selic

A decisão ocorre após um período prolongado de juros elevados no Brasil. Em 2021, a Selic começou o ano em 2% ao ano e entrou em um ciclo forte de alta, chegando a 9,25% no fim daquele período, em resposta à aceleração da inflação.

Em 2022, o aperto monetário continuou, levando a taxa básica para patamares de dois dígitos, até atingir 13,75% ao ano. Nos anos de 2023 e 2024, após permanecer em níveis elevados, a Selic passou por um processo de estabilidade e posterior redução gradual, chegando a 10,5% ao ano.

Já em 2025, o ciclo voltou a ser de alta. A taxa básica chegou a 15% ao ano em junho daquele ano, patamar em que permaneceu por meses. Em março de 2026, o Copom iniciou um novo ciclo de cortes, reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Na reunião seguinte, em abril, o Comitê voltou a cortar a taxa na mesma magnitude, levando os juros para 14,50% ao ano.

Com a nova decisão, a Selic passa para 14,25% ao ano. Esse é o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, mas a taxa continua em nível restritivo, refletindo a preocupação da autoridade monetária com a convergência da inflação à meta.

Mercado acompanha próximos passos do Banco Central

A atenção do mercado agora se volta ao tom do comunicado e às indicações sobre os próximos passos da política monetária. A autoridade monetária tem reiterado que eventuais ajustes na Selic dependerão da evolução dos dados econômicos, das expectativas de inflação e da necessidade de garantir a convergência dos preços à meta.

O cenário externo também segue no radar. Incertezas globais, conflitos geopolíticos, preços de commodities e condições financeiras internacionais podem afetar a inflação e influenciar o ritmo de cortes de juros no Brasil.

Para investidores, a decisão tem impacto direto sobre renda fixa, crédito, câmbio, bolsa de valores e custo de capital das empresas. Com a Selic ainda elevada, aplicações pós-fixadas continuam influenciadas pelo patamar dos juros, enquanto ativos de risco tendem a reagir às sinalizações sobre a continuidade ou não do ciclo de queda.

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