A reputação de uma empresa de saneamento é construída pela capacidade de prestar serviços essenciais de forma contínua, cumprir os investimentos previstos nos contratos e manter diálogo com a população. Em entrevista ao REPCAST, apresentado por Leandro Conte, o CEO da Aegea, Radamés Casseb, afirmou que esses fatores acompanharam a trajetória da companhia desde o início de suas operações, em 2010.
A empresa passou de duas concessões fora dos grandes centros para uma operação presente em quase 900 municípios de 15 estados, com mais de 39 milhões de pessoas atendidas e receita superior a R$ 16 bilhões. Segundo Casseb, a expansão foi sustentada por uma cultura voltada à execução dos compromissos econômicos, operacionais e sociais assumidos em cada território.
“Uma coisa relevante é você cumpre o que você promete. Isso faz parte da cultura da empresa. A empresa se compromete, ela entrega. É no âmbito econômico, é no âmbito do legado, é no âmbito da transformação, da contribuição, da surpresa. São 15 anos de promessas entregues que vão se perpetuar por mais décadas à frente”, afirma Radamés Casseb.
Presença local sustenta a licença social para operar
A atuação no abastecimento de água e no esgotamento sanitário mantém a Aegea em contato permanente com famílias, empresas e administrações públicas. A medição mensal do consumo, o atendimento a vazamentos e interrupções e a disponibilidade dos canais de comunicação colocam a concessionária diante das necessidades cotidianas dos usuários.
Essa proximidade levou a companhia a estruturar o conceito de licença social para operar, entendido como a aceitação da população em relação à presença da empresa e à prestação do serviço. Para o executivo, a continuidade de uma concessão depende tanto do cumprimento das obrigações formais quanto da percepção dos clientes sobre a qualidade do atendimento.
“Está fora dos centros, está longe do cotidiano da Faria Lima e mais no bairro, na casa das pessoas, na vida cotidiana, nos fez entender que tá conectado com o cliente faz toda a diferença”, explica Radamés Casseb.
Concessões direcionam recursos para a universalização
O avanço da participação privada no saneamento foi acompanhado por discussões sobre o papel do Estado e das empresas na prestação de serviços públicos. Casseb ressalta que uma concessão não representa a transferência definitiva dos ativos, mas uma autorização temporária para que o operador privado realize investimentos e administre os serviços durante o período contratual.
Nesse modelo, o Estado permanece responsável pelo serviço público, enquanto a concessionária assume metas de expansão, qualidade e universalização. Ao término do contrato, a infraestrutura implantada retorna ao poder público, estabelecendo um novo patamar de atendimento para os ciclos seguintes.
“O privado tá entrando nesse serviço para melhorar a qualidade, no caso específico sobre saneamento, para fazer o investimento para a universalização dos serviços e para poder remunerar esse capital ao longo do tempo de vida da exploração dos serviços, do contrato de 35 anos”, detalha Radamés Casseb.
Comunidades vulneráveis são priorizadas nos investimentos
A implantação de redes de água e esgoto em comunidades vulneráveis envolve desafios de engenharia, capacidade de pagamento e relacionamento social. Essas regiões costumam concentrar parte do déficit de saneamento e, ao mesmo tempo, apresentar maior complexidade para a instalação e a manutenção da infraestrutura.
A estratégia da Aegea é priorizar essas localidades no início das concessões, combinando obras, tarifa social, redução de tarifas e soluções adaptadas às condições de cada território. A atuação inclui comunidades urbanas, áreas de palafitas e regiões nas quais a renda das famílias exige mecanismos específicos para ampliar o acesso aos serviços.
“Normalmente, quando você entra numa região, na primeira região, num contrato, o alvo prioritário é resolver os mais vulneráveis”, destaca Radamés Casseb.
Mudanças climáticas alteram o planejamento do saneamento
As mudanças nos períodos de chuva e estiagem passaram a exigir novos critérios de planejamento das empresas do setor. Contratos elaborados no início da década passada estavam concentrados principalmente nas metas de cobertura, enquanto temas como disponibilidade hídrica, enchentes, contaminação dos mananciais e concentração das chuvas ganharam relevância ao longo dos anos.
A Aegea passou a reunir dados sobre rios e bacias hidrográficas, instalar equipamentos de monitoramento e estabelecer parcerias com instituições de pesquisa. As informações são utilizadas para antecipar riscos, revisar planos de investimento e discutir com as agências reguladoras a adaptação da infraestrutura existente.
“Hoje a companhia tem na sua divisão de engenharia um time dedicado a pensar o futuro. E, nesse momento, a gente tem, em alguns estados e onde a gente identificou como mais críticos, discussões com a agência reguladora sobre como é que evolui, como é que amadurece o plano de investimento para se tornar mais resiliente”, avalia Radamés Casseb.
Educação e emprego ampliam o impacto das concessões
Além das obras de saneamento, a companhia desenvolveu iniciativas relacionadas à saúde, à educação e à geração de renda nas cidades onde atua. O objetivo é utilizar parte dos recursos movimentados pelos contratos para formar trabalhadores, inserir beneficiários de programas sociais no mercado formal e ampliar a participação de fornecedores locais.
No Rio de Janeiro, a operação da Águas do Rio contratou 4.500 moradores de comunidades para o primeiro emprego, dentro de uma equipe de 9 mil funcionários diretos. Parte desses profissionais recebeu formação na academia da empresa e passou, posteriormente, a trabalhar em operações localizadas em outros estados.
“A educação inclui, permite a inclusão e a preparação para essa jornada de trabalho numa indústria que só cresce”, observa Radamés Casseb.
Relação com a população reduz riscos nas transições políticas
As concessões de saneamento atravessam diferentes governos municipais, estaduais e federais. Para preservar a continuidade das operações, a Aegea concentra sua estratégia na relação com a população, no cumprimento das metas contratuais e no diálogo com agências reguladoras, órgãos de controle e poderes concedentes.
Na avaliação de Casseb, a reputação funciona como um ativo operacional porque reduz incertezas durante as mudanças de administração e fortalece a confiança na capacidade da empresa de responder aos problemas. A manutenção desse vínculo depende de transparência, aprendizado contínuo e disposição para corrigir falhas em uma atividade que funciona 24 horas por dia e afeta diretamente a rotina da população.














