O mercado de fundos de investimento no Brasil segue em expansão, em meio ao cenário de juros elevados, crédito bancário mais restrito e maior busca das empresas por alternativas de financiamento. Nesse contexto, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs, ganharam relevância como fonte de capital para companhias e como opção para investidores em busca de retorno em crédito privado.
Segundo dados do setor, o patrimônio dos FIDCs se aproxima de R$ 800 bilhões. A classe tem sido usada principalmente por empresas que buscam antecipação de recebíveis, reforço de caixa e financiamento de operações fora dos canais tradicionais de crédito bancário.
A demanda também reflete uma mudança na relação entre empresas e instituições financeiras. Com bancos mais seletivos na concessão de crédito e custo de capital elevado, companhias de médio e grande porte passaram a recorrer a estruturas de mercado de capitais para acessar recursos com maior previsibilidade.
Nesse ambiente, gestoras especializadas em crédito estruturado vêm ampliando sua participação. A Intra, por exemplo, alcançou R$ 4,3 bilhões sob gestão, avanço de 57% em 12 meses. A atuação da casa está concentrada em operações de crédito com empresas do middle market e do segmento corporate.
A gestora afirma que mantém uma política de crédito baseada em análise própria, critérios conservadores de elegibilidade e acompanhamento das carteiras.
“Trabalhamos com análise própria, critérios conservadores e monitoramento contínuo das carteiras”, afirma Valdir Piran Jr., sócio-diretor do Intra.
A originação própria tem sido uma das estratégias usadas por gestoras para acessar diretamente empresas tomadoras de crédito. Esse modelo permite estruturar operações de acordo com o perfil da companhia, o fluxo de recebíveis e as garantias disponíveis.
Do lado dos investidores, os FIDCs têm atraído interesse por combinarem exposição ao crédito privado com estruturas de monitoramento, critérios de elegibilidade e mecanismos de proteção. Ainda assim, especialistas ressaltam que a análise de risco, a qualidade dos recebíveis e a governança das carteiras seguem como pontos centrais para a avaliação desse tipo de produto.
Para Piran Jr., o avanço dos FIDCs reflete uma mudança no mercado de crédito privado.
“O mercado está mais maduro e busca estruturas de crédito mais sofisticadas”, diz o executivo.














