O estudo Raio X do investidor brasileiro 2026, divulgado pela Anbima, mostra que 36% da população brasileira investe em algum produto financeiro, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. Apesar do crescimento observado nos últimos anos, a maior parte da população ainda está fora do mercado de investimentos.
De acordo com a pesquisa, 107,7 milhões de brasileiros não investem, evidenciando o tamanho do desafio para ampliar a participação da população no mercado financeiro.
O levantamento entrevistou 5.832 pessoas com 16 anos ou mais, representando um universo de 168,1 milhões de brasileiros.
Raio X do investidor brasileiro: Falta de reserva financeira ainda é realidade
Um dos principais entraves identificados pelo Raio X do investidor brasileiro 2026 é a ausência de reserva financeira.
Segundo o estudo:
- 31% dos brasileiros não têm nenhuma reserva;
- 10% têm reserva para menos de uma semana;
- 10% conseguem cobrir até um mês de despesas.
Apenas 15% possuem reserva entre seis meses e um ano, enquanto 3% conseguem manter recursos suficientes para mais de cinco anos.
A desigualdade também aparece quando os dados são analisados por renda. Entre os brasileiros da classe D/E, 48% não possuem reserva financeira, contra 30% na classe C e 13% na classe A/B.
Poupança ainda domina os investimentos
Apesar do avanço de novos produtos financeiros, a caderneta de poupança segue como o investimento mais utilizado pelos brasileiros.
Entre as aplicações mais usadas estão:
- Poupança: 22%;
- Títulos privados: 7%;
- Fundos de investimento: 5%;
- Criptomoedas: 4%;
- Ações: 2%;
- Títulos públicos: 2%;
- Previdência privada: 2%.
Mesmo com essa liderança, a participação da poupança vem diminuindo nos últimos anos, especialmente entre investidores de renda mais alta.
Bancos tradicionais ainda concentram os investimentos, mostra Raio X do investidor brasileiro 2026
O estudo também revela que os bancos tradicionais continuam sendo o principal canal de investimento no país.
Em 2025:
- 73,67% dos investidores utilizam bancos tradicionais;
- 38,87% utilizam bancos digitais;
Entre os brasileiros da classe A/B, o uso de bancos digitais chega a 52,3%, enquanto nas classes D/E o percentual cai para 22,6%.
Internet se consolida como principal meio de investir
O avanço da digitalização também aparece na forma como os brasileiros realizam aplicações financeiras. O percentual de pessoas que investem online chegou a 63% em 2025, contra 48% em 2021. No mesmo período, o número de pessoas que investem presencialmente caiu de 43% para 32%.
Quando buscam informações sobre investimentos, os brasileiros recorrem cada vez mais às plataformas digitais.
Os principais canais de informação são:
- YouTube: 35%;
- Instagram: 27%;
- Televisão: 21%;
- Buscadores na internet: 20%;
- Portais e sites: 15%;
- WhatsApp: 15%;
- Podcasts: 13%;
- Inteligência artificial: 9%.
A influência dos criadores de conteúdo também cresceu. O estudo identificou 904 finfluencers ativos, responsáveis por 468 mil publicações e mais de 1,3 bilhão de interações.
Fraudes financeiras atingem um terço da população
Outro dado relevante do Raio X do investidor brasileiro 2026 é o aumento da exposição a golpes financeiros.
Segundo o estudo, 1 em cada 3 brasileiros já foi vítima de fraude financeira.
Entre os golpes mais comuns estão:
- Phishing;
- Loja falsa na internet;
- WhatsApp clonado;
- Boleto falso;
- Cartão clonado;
- Fraudes com Pix após roubo de celular.
Reserva para aposentadoria ainda é rara
O estudo também aponta que o planejamento de longo prazo ainda é limitado.
Entre pessoas que não estão aposentadas:
- 16% já começaram a poupar para aposentadoria;
- 27% pretendem começar;
- 57% não têm planos de iniciar uma reserva.
Quando existe reserva para aposentadoria, ela está concentrada principalmente em:
- Poupança;
- Títulos privados;
- Fundos de investimento.
Tendência é de crescimento gradual do número de investidores
Apesar dos desafios, o estudo indica que o número de investidores pode continuar crescendo.
A projeção aponta que 23,2 milhões de brasileiros devem começar a investir, enquanto 14,5 milhões podem deixar o mercado, gerando um saldo de 8,7 milhões de novos investidores.
O levantamento reforça que a ampliação da educação financeira e o acesso a produtos de investimento serão fatores decisivos para a evolução do mercado no país.












