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Para fugir de uma metrópole que afunda 25 centímetros por ano, a Indonésia investe 35 bilhões de dólares na construção de uma nova capital inteligente e sustentável no meio da selva

Laila Por Laila
21/02/2026
Em Engenharia

Jacarta, a capital da Indonésia, afunda até 25 centímetros por ano e pode estar amplamente submersa em 2050. A solução encontrada pelo governo foi radical: construir uma nova cidade do zero. Batizada de Nusantara, a futura capital está sendo erguida na selva de Bornéu, com um orçamento de 35 bilhões de dólares e a promessa de se tornar uma “smart city” verde, movida a energia renovável e livre dos problemas da velha metrópole.

Por que Jacarta está afundando tão rapidamente?

Jacarta é um exemplo extremo de subsidência urbana. A combinação de superlotação, drenagem deficiente, extração excessiva de água subterrânea e elevação do nível do mar faz com que o solo ceda em ritmo alarmante. Em algumas áreas do norte da cidade, o terreno já afundou até 2,5 metros na última década.

Hoje, cerca de 40% da cidade está abaixo do nível do mar. Estudos indicam que, se nada fosse feito, grandes porções da capital estariam submersas por volta de 2050. A situação é agravada pela concentração econômica em Java, que atrai cada vez mais habitantes para a região.

A combinação de superlotação, drenagem deficiente, extração excessiva de água subterrânea e elevação do nível do mar faz com que o solo ceda em ritmo alarmante

Leia também: Adeus ao gesso: novo revestimento custa 40% menos, dispensa pintura e fica pronto em horas

Onde e como será Nusantara, a nova capital?

Nusantara está sendo construída em Kalimantan Oriental, na ilha de Bornéu, a mais de 1.000 quilômetros de Jacarta. A área foi escolhida por estar fora do “Anel de Fogo” do Pacífico, ou seja, livre de grandes terremotos e erupções vulcânicas, e por representar um novo polo de desenvolvimento fora da superlotada ilha de Java.

A cidade ocupará uma área de 256 mil hectares de floresta tropical. O projeto está orçado em 35 bilhões de dólares e será concluído em fases até 2045, quando deverá abrigar cerca de 1,9 milhão de pessoas, incluindo o presidente, ministérios, servidores públicos e um ecossistema de universidades, centros de tecnologia e serviços. A tabela abaixo resume os números principais:

🏗️ Nusantara: A Nova Capital da Indonésia

Dados estratégicos sobre a transferência da sede administrativa de Jacarta
Indicador Dados e Estatísticas
💰 Investimento total US$ 35 bilhões
📐 Área total 256 mil hectares
👥 População estimada (2045) 1,9 milhão de habitantes
✈️ Distância de Jacarta ~1.000 km
🌊 Taxa de afundamento (Jacarta) Até 25 cm/ano
📅 Cronograma Início (2022) — Conclusão prevista (2045)

💡

Contexto: A mudança para a ilha de Bornéu visa aliviar a pressão ambiental sobre Jacarta e promover o desenvolvimento econômico na região leste da Indonésia. 

O canal The Impossible Build, que soma mais de 152 mil inscritos, produziu um documentário detalhado sobre a construção:

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O que torna Nusantara uma “cidade inteligente e sustentável”?

O plano urbanístico de Nusantara aposta em energia renovável, transporte público elétrico e alta digitalização dos serviços públicos. A ideia é que a cidade funcione como uma vitrine de desenvolvimento equilibrado, reduzindo a concentração econômica em Java e atraindo investimentos para o leste do país.

Entre as promessas estão:

  • Ampla cobertura de áreas verdes, com a maior parte do território preservada como floresta.
  • Mobilidade limpa, com veículos autônomos e elétricos integrados.
  • Infraestrutura digital avançada, com redes de alta velocidade e gestão pública baseada em dados.
  • Edificações com certificação ambiental, seguindo padrões internacionais de eficiência.

Quais são as controvérsias e os desafios do projeto?

Apesar do discurso sustentável, Nusantara enfrenta críticas pesadas:

  • Ambientalistas alertam para o desmatamento e o impacto sobre a biodiversidade de Bornéu, um dos ecossistemas mais ricos do planeta.
  • Comunidades indígenas da região temem ser deslocadas e perder seus territórios tradicionais.
  • Economistas apontam que a nova capital não substituirá o peso econômico de Jacarta, que continuará sendo o centro de negócios do país.
  • Risco de “cidade vitrine”: há quem tema que Nusantara se torne uma bolha de modernidade desconectada dos problemas reais da Indonésia.

Estudos da Oxford Economics indicam que o projeto pode estimular o crescimento fora de Java, mas não resolverá sozinho o afundamento de Jacarta nem a desigualdade regional.

O projeto pode estimular o crescimento fora de Java, mas não resolverá sozinho o afundamento de Jacarta nem a desigualdade regional

Nusantara vai dar certo?

A resposta ainda está em aberto. A construção de uma capital do zero é um desafio faraônico, que exige não apenas dinheiro e engenharia, mas também aceitação social e equilíbrio ambiental. Se Nusantara conseguir conciliar tecnologia, sustentabilidade e respeito às comunidades locais, pode se tornar um modelo para o século XXI. Se falhar, será mais um monumento à arrogância do planejamento urbano. Por enquanto, os olhos do mundo estão voltados para a selva de Bornéu, onde uma nova cidade tenta nascer.

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