A reputação empresarial passou a ocupar papel central na estratégia da Gerdau em um momento em que a companhia busca ampliar sua atuação para além da produção de aço. No Repcast, programa conduzido por Leandro Conte, sócio-diretor da FSB Holding, Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, afirmou que a empresa centenária precisou reforçar a escuta aos clientes para transformar portfólio, cultura e marca.
A discussão partiu de um contexto mais amplo de reindustrialização no Brasil, reforma tributária, reorganização das cadeias globais e busca por competitividade. Para Werneck, a indústria brasileira tem condições de disputar espaço globalmente, mas ainda depende de um ambiente de negócios menos burocrático e mais favorável à produtividade.
“Então, a indústria brasileira, ela é sim competitiva”, afirmou Gustavo Werneck.
Reindustrialização depende de simplificação e ambiente de negócios
Werneck citou a reforma tributária como exemplo de mudança capaz de melhorar a competitividade da indústria. Ao comparar as operações da Gerdau no Brasil e nos Estados Unidos, ele destacou a diferença de complexidade tributária entre os dois mercados e como isso impacta a eficiência das empresas brasileiras.
Segundo o executivo, o país precisa criar condições para que a competitividade existente dentro das companhias se traduza em capacidade real de disputa no mercado global. A simplificação de processos, nesse sentido, aparece como uma etapa relevante para permitir que a indústria brasileira jogue em igualdade com outros países.
“Aqui no Brasil atualmente a gente tem 123 pessoas CLT que trabalham na área tributária. Nos Estados Unidos a gente tem duas”, comparou Gustavo Werneck.
Escuta ao cliente conduziu mudança de portfólio
A transformação da Gerdau começou pela leitura das demandas dos clientes. Werneck explicou que a companhia deixou de se enxergar apenas como uma produtora de aço para se posicionar como provedora de soluções e serviços, respondendo a clientes que buscavam mais integração, agilidade e simplicidade nos projetos.
Esse movimento levou a empresa a desenvolver novas capacidades e reduzir a dependência da venda de commodities. A estratégia permitiu entregar soluções completas, como serviços integrados de fundação, em vez de apenas fornecer o insumo para que o cliente coordenasse diferentes fornecedores.
“Uma característica que as empresas nunca deveriam perder é a capacidade de ouvir os clientes”, destacou Gustavo Werneck.
Transformação cultural exige liderança e foco no negócio
Do ponto de vista organizacional, Werneck afirmou que mudanças em empresas centenárias enfrentam resistências naturais. Para ele, transformações profundas exigem envolvimento direto da alta liderança, porque a cultura estabelecida tende a bloquear iniciativas novas quando não há patrocínio claro do comando da companhia.
A entrada em novos modelos de negócio, incluindo startups e soluções digitais, exigiu que a Gerdau desenvolvesse atributos culturais como maior tolerância ao risco, rapidez para corrigir rotas e disposição para aprender com erros. Ainda assim, o executivo ressaltou que inovação precisa estar conectada ao negócio principal da empresa.
“Essas mudanças nunca são simples, né? O ser humano, de forma geral, ele tem um pouco de aversão a mudança, aversão ao novo”, observou Gustavo Werneck.
Marca buscou aproximar aço, sociedade e futuro
A transformação também passou pela marca. Werneck afirmou que a Gerdau procurou mudar a narrativa sobre o aço, tirando o setor de uma imagem associada ao passado industrial e aproximando o produto de temas como futuro, cultura, reciclagem e economia circular.
Um dos exemplos citados foi a participação da empresa em festivais de música para contar a história da sucata e dos trabalhadores ligados à reciclagem. Na avaliação do executivo, esse movimento fortaleceu a relação com clientes, parceiros, colaboradores e novos talentos.
“Qualquer indicador que a gente mediu, a gente teve certeza que a gente estava fazendo a coisa correta”, avaliou Gustavo Werneck.
Economia circular reforça reputação e licença social
A sustentabilidade foi tratada como parte da reputação empresarial da Gerdau. Werneck afirmou que a companhia já trabalhava com economia circular antes mesmo de o tema ganhar força no debate corporativo, especialmente pelo uso de sucata como matéria-prima relevante para a produção de aço no Brasil.
O executivo também destacou projetos ligados à mineração sustentável, como a produção de minério sem uso de barragem e a redução do transporte por caminhões. Para ele, a reputação depende da capacidade de prometer apenas o que pode ser entregue, com metas mensuráveis, auditáveis e compatíveis com o balanço da companhia.
“No fundo a reputação vem daí, né? a capacidade da gente entregar aquilo que a gente promete”, pontuou Gustavo Werneck.
Liderança humanizada completa agenda de transformação
No bloco sobre liderança, Werneck relacionou reputação à previsibilidade e à forma como líderes tomam decisões em momentos de pressão. Ele afirmou que busca pessoas com empatia, humildade e capacidade de pensar de maneira diferente, porque a diversidade de pontos de vista amplia a qualidade das soluções para a empresa e para os clientes.
Ao final, o CEO resumiu reputação como a construção de uma história capaz de orientar expectativas mesmo em períodos de crise. Para a Gerdau, a transformação de portfólio, cultura, marca e sustentabilidade mostra que reputação não é apenas percepção externa, mas consequência da consistência entre discurso, entrega e comportamento empresarial.
“Para mim reputação é previsibilidade”, definiu Gustavo Werneck.














