O governo federal afirmou que a resposta à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos será baseada na Lei da Reciprocidade Econômica. A equipe econômica, no entanto, evita classificar uma eventual medida como retaliação.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o objetivo é avaliar os mecanismos previstos na legislação e os impactos de cada decisão sobre a economia brasileira.
As tarifas americanas sobre produtos brasileiros entram em vigor na próxima quarta-feira (22).
Até lá, o governo pretende manter os canais de negociação abertos com Washington.
Tarifaço: reciprocidade deverá considerar impactos econômicos
Segundo Durigan, qualquer medida será adotada com cautela para preservar a trajetória fiscal e evitar prejuízos adicionais ao setor produtivo. A reciprocidade deverá ser proporcional e aplicada apenas se for considerada benéfica ao país.
Integrantes da equipe econômica trabalham com a possibilidade de uma nova reação dos Estados Unidos caso o Brasil aplique a legislação.
O governo também acompanha uma investigação americana relacionada a alegações de trabalho forçado. A preocupação é que uma eventual nova sanção seja cumulativa e aumente a tributação sobre produtos brasileiros.
Diante desse cenário, a prioridade do governo é reduzir as perdas das empresas exportadoras sem ampliar as tensões comerciais.
Governo consulta setores atingidos
O governo iniciou reuniões com os segmentos mais afetados pelo tarifaço para definir o alcance do novo pacote de apoio às empresas.
As consultas deverão medir perdas de contratos, impactos sobre empregos, necessidade de capital de giro e riscos de redução da produção.
A principal ferramenta deverá ser o reforço do programa Brasil Soberano, que oferece linhas de financiamento às companhias atingidas pelas tarifas.
Os pedidos de crédito protocolados já ultrapassam R$ 18 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social também solicitou a liberação de mais recursos do Fundo de Garantia à Exportação para atender operações em análise.
A equipe econômica afirma que o socorro será direcionado aos setores considerados mais vulneráveis e deverá respeitar os limites fiscais.
Exportadores revisam produção e contratos
Empresas dos setores de calçados, máquinas, móveis e produtos têxteis começaram a revisar seus planos de produção diante da entrada em vigor da tarifa de 25%. As companhias relatam pedidos de desconto, cancelamentos de encomendas e aumento da incerteza sobre a assinatura de novos contratos.
Algumas empresas já estudam reduzir o ritmo de fabricação caso as negociações entre Brasil e Estados Unidos não avancem.
Paralelamente, o governo pretende acelerar a abertura de mercados alternativos. Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos estão entre os destinos considerados prioritários.
A estratégia busca reduzir a dependência do mercado americano, embora o governo reconheça que os novos destinos não substituirão imediatamente a demanda dos Estados Unidos.
Estados Unidos pediram tarifa zero para produtos industriais
Durante as negociações, os Estados Unidos solicitaram que o Brasil reduzisse a zero as tarifas de importação para bens industriais, químicos, automotivos, máquinas, equipamentos e produtos aeroespaciais.
Washington também apresentou demandas relacionadas ao etanol, às plataformas digitais e a outros temas considerados estratégicos.
O governo brasileiro rejeitou a proposta por avaliar que uma abertura ampla aumentaria o déficit comercial com os Estados Unidos e comprometeria a competitividade da indústria nacional.
Negociadores brasileiros apresentaram alternativas de redução tarifária em setores específicos, mas descartaram mudanças consideradas incompatíveis com os interesses do país.
Apesar do impasse, o governo afirma que manterá as negociações abertas e buscará uma solução por meio do diálogo.














