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ECONOMIA

PIB cresce, mas economia privada perde tração no Brasil, aponta relatório

O crescimento recente da economia brasileira esconde uma mudança relevante na composição da atividade. Relatório mensal de cenário macroeconômico do Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Banco Daycoval indica que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) tem sido sustentada majoritariamente por setores menos sensíveis ao ciclo econômico, enquanto a economia privada ligada ao crédito e ao investimento perde fôlego.

Segundo o documento, mais de 80% da variação mensal do PIB observada em novembro de 2025 foi explicada por componentes não cíclicos, como agropecuária e indústria extrativa.

Na prática, isso significa que o crescimento recente não está sendo puxado por indústria de transformação, consumo financiado ou expansão do investimento produtivo, tradicionalmente associados a ciclos econômicos mais robustos.

O relatório mantém projeção de crescimento de 2,2% para 2025 e de apenas 1,7% para 2026, sugerindo desaceleração gradual da atividade econômica.

Indústria e consumo sensível ao crédito enfraquecem

O documento mostra que os setores mais dependentes da política monetária — especialmente indústria e bens duráveis — vêm perdendo dinamismo.

A indústria de transformação registrou queda de 0,2% em 2025 após expansão de 3,1% no ano anterior, indicando impacto mais forte do aperto monetário sobre a atividade produtiva.

Já pelo lado do consumo, itens sensíveis ao crédito passaram a apresentar crescimento negativo em 12 meses, enquanto gastos mais ligados à renda ainda mostram alguma resiliência, ainda que em desaceleração.

Para o economista-chefe do DPEc do Banco Daycoval, Rafael Cardoso, o quadro sugere uma mudança qualitativa no padrão de expansão econômica. Segundo a equipe do banco, a atividade segue avançando, porém “mais concentrada em componentes não cíclicos, enquanto segmentos mais sensíveis à política monetária seguem perdendo tração”.

Mercado de trabalho forte… mas com ressalvas

O relatório também traz uma leitura mais técnica sobre o mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego encerrou 2025 em 5,1%, próxima de mínimas históricas, mas a queda não ocorreu exclusivamente por aumento da ocupação.

De acordo com o estudo, parte relevante da redução do desemprego decorreu da diminuição da taxa de participação da força de trabalho, que recuou de 62,5% em julho para 61,9% em dezembro.

Ou seja, menos pessoas passaram a procurar emprego, o que reduz estatisticamente a taxa de desemprego.

Ainda assim, os salários seguem pressionados. Os rendimentos reais cresceram 5,7% em dezembro na comparação anual, sustentando a massa salarial mesmo com perda de dinamismo do emprego.

Para os economistas do banco, esse comportamento reflete escassez de mão de obra em grande parte dos setores e cria desconforto adicional para a política monetária.

Renda sustenta consumo e inflação

A combinação de renda elevada e crédito ainda ativo mantém o consumo relativamente resiliente. O banco projeta crescimento real das concessões de crédito de 4,1% em 2026, com maior impulso vindo do crédito às famílias.

Além disso, medidas como valorização do salário mínimo e estímulos à renda devem gerar impulso adicional ao consumo no curto prazo. Esse cenário ajuda a explicar por que a inflação desacelera lentamente. A projeção foi revisada de 4,1% para 3,8% neste ano, ainda pressionada pelo mercado de trabalho aquecido e pelos serviços.

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PIB cresce, mas economia privada perde tração no Brasil, aponta relatório
Créditos: depositphotos.com / rmcarvalhobsb