Em painel realizado na noite desta segunda-feira (27), durante evento do Esfera Brasil, o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, Renata Abreu, presidente do Podemos, e Paula Corradi, presidente do PSOL, discutiram o cenário eleitoral de 2026, os desafios econômicos do país, segurança pública, endividamento das famílias, jornada de trabalho e reformas institucionais.
Durante o debate, Ciro Nogueira afirmou que não vê espaço para uma terceira via na próxima eleição presidencial enquanto Lula e Bolsonaro seguirem como forças políticas centrais.
“Eu não vejo espaço nenhum, enquanto Lula e Bolsonaro forem vivos, para uma terceira via”, afirmou Ciro.
Eleição deve ser marcada por rejeição, diz Ciro Nogueira
Na avaliação do senador, a disputa de 2026 tende a ser novamente marcada pela polarização. Para ele, a eleição poderá ser decidida pelo candidato que conseguir falar com o eleitor que deseja moderação e união nacional.
“A eleição de 2022, as pessoas votaram no Lula para derrotar o Bolsonaro. E agora estão votando no Flávio para derrotar o Lula. É uma eleição de rejeição”, disse.
Ciro afirmou ainda que, na visão dele, Flávio Bolsonaro tem condições de vencer a disputa, desde que adote um discurso mais amplo.
“Se ele vier com discurso para a extrema-direita, com certeza ele vai perder a eleição”, declarou.
Renata Abreu defende alianças programáticas
A presidente do Podemos, Renata Abreu, afirmou concordar com a avaliação de que a eleição será definida pela capacidade de diálogo com o centro do eleitorado.
Segundo ela, no ambiente atual de polarização, as alianças partidárias tendem a ser menos pragmáticas e mais programáticas.
“Vai ser difícil um partido que tem um perfil de centro-direita estar alinhado com um candidato da esquerda, e vice-versa”, afirmou Renata.
Para a deputada, a sociedade também passou a cobrar mais coerência ideológica dos partidos e de seus representantes.
PSOL defende diálogo com empresários sobre desenvolvimento e clima
Durante o painel, Paula Corradi afirmou que o PSOL pode construir pontes com o setor empresarial em torno de temas como desenvolvimento nacional, soberania, indústria e transição climática.
“Eu acredito que nós podemos, sim, construir pontes, construir diálogos, principalmente em relação à questão do desenvolvimento nacional”, disse.
Segundo ela, o partido defende um projeto de transformação social, mas entende que isso exige diálogo com diferentes setores da sociedade.
“Precisamos desenvolver o país, desenvolver a nossa indústria”, afirmou.
Segurança pública e combate às facções
Ciro Nogueira também comentou avanços recentes na legislação voltada ao combate às facções criminosas. Segundo ele, o Congresso aprovou o texto possível para o momento.
“Foi um avanço gigantesco no combate principalmente às facções criminosas do nosso país”, afirmou.
Para o senador, a expectativa é que as mudanças tragam maior efetividade no enfrentamento ao crime organizado.
Jornada de trabalho e impacto econômico
O debate também abordou a discussão sobre redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Ciro Nogueira afirmou que o tema precisa ser tratado com responsabilidade econômica.
“De onde vai sair esse custo? Quem vai bancar isso no nosso país?”, questionou.
Renata Abreu também defendeu equilíbrio na discussão.
“Não adianta você ter mais qualidade de vida e não ter emprego amanhã para dar oportunidade”, disse.
Paula Corradi, por outro lado, afirmou que a redução da jornada pode contribuir para relações de trabalho mais saudáveis.
“Faz bem para a sociedade, faz bem para a democracia, que a gente crie ambientes de trabalho que sejam saudáveis”, afirmou.
Endividamento das famílias preocupa lideranças
Questionados sobre o alto endividamento das famílias brasileiras, os participantes avaliaram que programas de renegociação podem ajudar, mas não resolvem o problema estrutural. Ciro Nogueira classificou medidas como o Desenrola 2 como paliativas.
“É uma situação muito mais a curto prazo para dar uma satisfação do que pensando mesmo nessas famílias”, afirmou.
Renata Abreu também disse ver a medida como insuficiente.
“Acho que a gente está postergando, apagando incêndio”, declarou.
Paula Corradi apontou a taxa de juros como um dos principais fatores do endividamento.
“Não é possível que a gente ache normal ter uma taxa de juros de 15%”, afirmou.
STF e reforma das instituições
O funcionamento do Supremo Tribunal Federal também foi tema do painel. Ciro Nogueira defendeu uma reforma das instituições e maior transparência no uso de recursos públicos.
“Qualquer recurso público do nosso país tem que ter transparência total”, disse.
Renata Abreu afirmou que o debate sobre mudanças no STF precisa ser feito com equilíbrio e racionalidade.
“Esse debate precisa acontecer sem emoção, mas com racionalidade”, afirmou.
Paula Corradi disse que o STF tem desempenhado papel importante no equilíbrio entre os Poderes, mas também defendeu avanços em temas como código de ética e transparência.
Reforma do Estado e transparência
Ao longo do painel, os participantes também trataram da necessidade de reformas para melhorar a eficiência do Estado.
Ciro Nogueira defendeu corte de custos e maior eficiência das instituições.
“Não tem mais como permanecer com o Estado tão caro, dispendioso e ineficiente como o que nós temos hoje no Brasil”, afirmou.
O debate encerrou com a avaliação de que temas econômicos, institucionais e eleitorais devem dominar a agenda política nos próximos meses.














