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Vale a pena fazer um curso para conselheiros?

Participamos do Board Program da StartSe; veja as impressões iniciais

Maurílio GoeldnerPor Maurílio Goeldner
26/01/2026

Vale a pena investir em uma formação para conselheiros? 

Para responder a essa pergunta, é preciso primeiro entender que o papel dos boards mudou: eles deixaram de ser apenas instâncias de controle e fiscalização para se tornarem os principais aceleradores da inovação e longevidade das empresas. 

No cenário atual, a governança moderna exige mais do que conformidade; exige decisão informada, repertório amplo e capacidade de inovar sem perder o controle. 

Participamos do Board Program da StartSe e o que encontramos foi uma jornada que subverte a lógica tradicional: em vez de focar apenas no rigor jurídico das empresas listadas, o programa entrega as “licenças” necessárias para que executivos e herdeiros de empresas familiares dominem a ambidestria organizacional — o equilíbrio entre proteger o presente e criar o futuro.

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Diante desse cenário, a pergunta que muitos líderes fazem é: como se preparar para tomar decisões que definem o futuro de uma organização em meio à disrupção tecnológica acelerada? Foi a partir dessa inquietação que surgiu o convite para participar do Board Program da StartSe, formação voltada não apenas a quem busca uma cadeira estatutária, mas a quem quer ser a mente estratégica que orienta empresas familiares, startups em escala e organizações tradicionais em reinvenção. 

Ao longo das primeiras aulas, ficou claro que o curso vai além da governança formal ao propor uma imersão na lógica de decisão que separa “conselhos que protegem” de “conselhos que transformam”. É a partir dessa experiência que compartilhamos, agora, nossas impressões.

O que é o Board Program da StartSe

O Board Program da StartSe é uma formação híbrida, com encontros presenciais e conteúdos online, voltada a quatro perfis estratégicos: fundadores e sucessores de empresas familiares que precisam profissionalizar a governança para garantir perpetuidade; conselheiros experientes que já dominam a base técnica, mas precisam de repertório em IA e inovação para não se tornarem obsoletos; advisors e membros de conselhos consultivos que querem influenciar decisões sem a rigidez dos boards tradicionais; e executivos em transição de carreira que entendem que o prolongamento inteligente da trajetória profissional está na passagem da execução para a estratégia.

O diferencial do programa está na Metodologia de Licenças, que estrutura a jornada de aprendizado em três camadas progressivas. A Licença para Operar cobre os fundamentos: tipos de conselhos (consultivos, familiares, fiscais, estatutários), composição, dinâmica de reuniões e responsabilidades básicas. A Licença para Competir aprofunda o repertório crítico para navegar crises, construir cultura organizacional resiliente e integrar ESG como vantagem competitiva real, não apenas compliance. Por fim, a Licença para Vencer — o grande diferencial da StartSe — entrega o que nenhum curso tradicional oferece: domínio de ambidestria organizacional (como explorar o core business enquanto se explora inovação radical), IA aplicada à tomada de decisão em boards e frameworks para acelerar inovação sem comprometer a operação.

O perfil dos participantes contribui de forma decisiva para a profundidade das discussões. O público é composto majoritariamente por executivos C-level, líderes seniores, empreendedores e profissionais em transição de carreira, muitos deles já envolvidos em processos decisórios relevantes dentro de suas organizações — mas em busca do salto de repertório que os posiciona como guardiões da estratégia, não apenas da execução.

A experiência prática: o que se aprende além da teoria

Logo no primeiro módulo presencial, fica claro que o curso não gira em torno de fórmulas prontas ou casos engavetados. As aulas são conduzidas por conselheiros atuantes, profissionais que estão todos os dias enfrentando dilemas reais em salas de conselho — e que trazem para o programa não apenas o que funciona, mas o que está sendo testado agora, no mercado, em tempo real.

Carlos Júlio não atua apenas como professor, mas como curador da jornada. Ele traduz dilemas abstratos em decisões concretas, conectando os módulos de forma que cada participante consiga aplicar os conceitos ao seu contexto específico — seja em uma empresa familiar de terceira geração, seja em uma scale-up navegando em uma pivotagem estratégica. Carlos reforça que o conselheiro moderno não é apenas o guardião da estratégia; é o tradutor da disrupção para dentro da sala de decisão, alguém que precisa equilibrar perenidade com ousadia, cultura com transformação.

Raul Rosenthal, PhD e conselheiro experiente, traz uma provocação simples e desconcertante logo na primeira aula: listar apenas cinco objetivos de vida para os próximos cinco anos. A dificuldade em responder expõe algo essencial para qualquer líder — pensar estrategicamente também é saber escolher e renunciar. Essa mesma lógica se aplica aos conselhos: empresas que tentam fazer tudo ao mesmo tempo, sem priorização radical, perdem relevância.

Já Carlos Sá destaca um ponto central para quem vem da comunicação, mas que atravessa todas as áreas: sem diálogo claro e transparente entre board e gestão, nenhuma estratégia se sustenta. Comunicação aqui não é ferramenta de marketing — é cultura organizacional e alinhamento de expectativas. Em empresas familiares, onde emoção e negócio frequentemente se confundem, essa clareza comunicacional se torna ainda mais determinante.

Outro aprendizado relevante vem de Eduardo Eisler, ex-aluno do programa que decidiu não seguir carreira como conselheiro. A mensagem é direta: criar valor é um compromisso de longo prazo, e nem todo profissional precisa — ou deve — ocupar um assento em conselho para contribuir estrategicamente. Às vezes, o maior impacto está em ser o advisor informal, o sparring partner do CEO, ou o consultor especializado que entra em momentos de virada. O Board Program não vende a ideia de que todos devem virar conselheiros; ele oferece o repertório para que cada um encontre sua melhor forma de influenciar decisões.

O que diferencia o programa de formações tradicionais é a metodologia viva: simulações de reuniões de conselho, hot seats onde participantes enfrentam dilemas reais sob pressão de tempo, e análises de casos contemporâneos — não aqueles de 10 anos atrás que viraram case de MBA, mas situações que estão acontecendo agora. A ambidestria organizacional, por exemplo, não é discutida como conceito teórico: os participantes simulam decisões de alocação de capital entre manter a operação lucrativa e investir em uma aposta de futuro incerta. A tensão é real. A dificuldade, também.

Pontos positivos

  • Conteúdo estratégico aplicado ao mundo real, não apenas à conformidade regulatória
  • Professores conselheiros atuantes, que estão aprendendo na prática todos os dias
  • Networking qualificado e intencional, com perfis complementares (familiares, executivos, advisors)
  • Discussões profundas sobre ambidestria e IA, temas ausentes em cursos tradicionais de governança
  • Simulações práticas (hot seats, board games) que expõem a dificuldade real de decidir sob incerteza
  • Carlos Júlio como curador, conectando os módulos e traduzindo teoria em decisão concreta

Pontos de atenção

  • Não é um curso rápido nem leve — exige dedicação e presença ativa
  • Exige bagagem profissional para melhor aproveitamento (não é entry-level)
  • Não promete atalhos para cargos em conselhos — o valor está no repertório e conexões, não no cargo
  • Foco em inovação e disrupção pode ser desconfortável para quem busca apenas formalização de processos

Veredito

O Board Program da StartSe se insere em um momento em que os conselhos deixaram de ser instâncias meramente formais para ocupar um papel central na definição dos rumos das organizações. Mas aqui está a virada: o conselho tradicional protege. O conselho StartSe transforma.

Em um mercado onde a disrupção tecnológica acelera a cada trimestre, experiência executiva ou domínio de processos já não são suficientes. O que passa a diferenciar os profissionais é a capacidade de equilibrar a exploração do presente (o que já funciona e gera caixa) com a exploração do futuro (apostas em inovação, IA, novos modelos de negócio). É justamente essa ambidestria organizacional que o curso entrega, sem recorrer a atalhos ou promessas simplificadas.

A relevância do programa se torna ainda mais evidente para três perfis: fundadores e sucessores de empresas familiares que precisam estruturar governança moderna sem perder a essência; conselheiros experientes que dominam compliance mas precisam se atualizar em IA aplicada e inovação para não se tornarem obsoletos; e executivos em transição que entendem que o próximo capítulo da carreira está na estratégia, não na operação.

Mais do que ensinar o “como” da governança, o Board Program provoca reflexões sobre o “porquê” das decisões, os trade-offs inerentes a cada escolha e a responsabilidade envolvida em pensar o futuro das organizações. Para quem entende que o valor profissional está na capacidade de tomar decisões estratégicas sob incerteza — e não apenas de executar com excelência — a formação cumpre o que se propõe: reposicionar o olhar sobre liderança, decisão e criação de valor de forma consistente e contemporânea.

Se você se reconheceu em algum dos perfis acima, o próximo passo é conversar com os especialistas da StartSe para entender como aplicar essa governança moderna ao seu contexto específico. Porque a pergunta não é mais se vale a pena investir em formação para conselhos. A pergunta é: você quer ser o conselheiro que apenas protege, ou aquele que transforma?

*O jornalista Maurílio Goeldner participa do “Board Program” a convite da StartSe.


Para saber mais e agendar uma conversa com especialistas, acesse aqui.

Foto: Divulgação

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