A inteligência artificial passou a integrar as decisões estratégicas das empresas, com aplicações em análise de informações, automação de processos, segurança digital e desenvolvimento de produtos. No entanto, o avanço dessas ferramentas também amplia a necessidade de governança, planejamento e preparação das equipes para lidar com novos riscos operacionais.
Durante o programa Conexão Segura, executivos destacaram que a tecnologia não deve ser tratada de forma isolada. A continuidade dos negócios depende da integração entre as áreas operacionais, os departamentos de tecnologia e as lideranças responsáveis por definir quais processos precisam ser preservados em situações de crise.
“Eu sei o que eu preciso manter funcionando e vou tentar manter aquilo haja o que houver. Aquilo tem que ser blindado como o meu core”, afirma Júlio Bertoco.
Tecnologia como parte da estratégia
A resiliência operacional deixou de ser uma preocupação concentrada no sistema financeiro e passou a fazer parte da rotina de setores como energia, varejo, comércio, indústria e logística. O objetivo é identificar atividades essenciais, medir os impactos de uma eventual interrupção e estabelecer previamente os limites que a organização considera toleráveis.
No setor industrial, a incorporação de sensores, sistemas automatizados e ferramentas de análise pode elevar a produtividade e reduzir variações entre processos. A modernização, porém, enfrenta limitações relacionadas à idade das fábricas, à necessidade de investimentos e ao risco de paralisação das operações durante a atualização das estruturas.
“Hoje o acesso à tecnologia é muito maior, muito mais rápido e mais barato. Com isso, ele gera um potencial de avanço e ganho de eficiência na indústria muito grande”, observa Gustavo Vieira.
Governança orienta projetos de IA
A velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial aumenta a pressão para que as empresas adotem novas ferramentas. Ainda assim, os projetos precisam partir de objetivos definidos, como reduzir custos, apoiar decisões, analisar contratos, identificar riscos ou melhorar processos internos.
Uma das estruturas apresentadas no programa foi a criação de um escritório de inteligência artificial composto por profissionais de tecnologia, segurança cibernética, jurídico, recursos humanos, comunicação e áreas de negócio. O modelo permite analisar cada iniciativa de forma multidisciplinar, considerando segurança, proteção de informações e cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados.
“Para ter o benefício completo da inteligência artificial, você precisa ter alguns fundamentos e não dá para abrir mão desses fundamentos”, pondera Odércio.
Segurança acompanha o avanço tecnológico
A inteligência artificial também pode ser utilizada para ampliar a capacidade de ataques digitais, personalizar tentativas de fraude e acelerar a identificação de vulnerabilidades. Esse cenário reduz o tempo disponível para que as empresas detectem ameaças e adotem medidas de proteção.
A responsabilidade pelas informações produzidas ou processadas por sistemas de IA continua pertencendo às organizações. Por esse motivo, os profissionais precisam compreender quais dados podem ser inseridos nas ferramentas, como os resultados devem ser verificados e quais controles precisam ser adotados antes da divulgação de qualquer conteúdo.
“Se eu coloco lá uma informação, essa informação vem de uma forma errada e eu publico isso de alguma forma, a responsabilidade é da companhia”, alerta Cléber.
Dados estruturados sustentam os resultados
A qualidade das aplicações depende da organização das bases utilizadas para treinar ou alimentar os sistemas. Informações armazenadas ao longo dos anos para outras finalidades podem precisar de revisão, classificação e tratamento antes de serem incorporadas aos projetos de inteligência artificial.
“A estruturação dos dados é a etapa mais importante quando a gente fala da implantação de inteligência artificial”, destaca Bianca Aon.
Pessoas permanecem no centro da transformação
No setor educacional, a inteligência artificial amplia o acesso a informações e pode apoiar estudantes na compreensão de conteúdos específicos. Para Bianca, entretanto, a tecnologia também expõe problemas anteriores, como falhas de processo, ausência de cultura de segurança e falta de preparação dos profissionais para utilizar os novos recursos.
Em síntese, os participantes avaliaram que a inteligência artificial pode gerar ganhos de produtividade, segurança e eficiência, desde que esteja vinculada a problemas concretos e a objetivos empresariais definidos. A capacidade de combinar tecnologia, processos, dados e pessoas deverá determinar quais organizações conseguirão transformar investimentos em resultados sustentáveis.














