O Tribunal Superior Eleitoral deve julgar nesta terça-feira (9) a decisão do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel.
O levantamento apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse“.
Argumentos da decisão do TSE de suspender a pesquisa AtlasIntel
Ao determinar a suspensão da pesquisa, o presidente do TSE afirmou que existem indícios de possível indução dos entrevistados durante a aplicação do questionário. Segundo Kassio Nunes Marques, a controvérsia não envolve apenas divergências metodológicas, mas questionamentos sobre a forma como determinadas perguntas foram organizadas.
O ministro destacou a sequência de questões relacionadas ao Banco Master, Daniel Vorcaro e aos impactos políticos do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro.
Na avaliação apresentada na decisão, a estrutura do questionário poderia influenciar respostas ligadas à imagem, rejeição e intenção de voto do senador.
Posição do PL
O Partido Liberal argumentou ao TSE que a pesquisa AtlasIntel foi estruturada de forma a produzir uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro. Segundo a representação apresentada pela legenda, o questionário continha uma sequência de perguntas relacionadas ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e às mensagens divulgadas envolvendo o senador.
Para o partido, essa organização temática teria potencial para influenciar a avaliação dos entrevistados sobre a candidatura de Flávio.
O PL também questionou a utilização de material audiovisual relacionado ao caso durante o levantamento.
Reação do PT
Integrantes do Partido dos Trabalhadores reagiram com preocupação. Dirigentes petistas afirmam que a medida pode abrir um precedente para futuras disputas eleitorais. A avaliação é que a Justiça Eleitoral historicamente costuma intervir em pesquisas quando existem problemas relacionados ao registro ou ao cumprimento de exigências legais, e não por questionamentos metodológicos.
Parlamentares e integrantes da campanha de Lula também manifestaram receio sobre os efeitos da decisão para a divulgação de levantamentos eleitorais durante a campanha de 2026.
Defesa da AtlasIntel
A AtlasIntel afirmou que não houve qualquer tipo de indução dos entrevistados e defendeu a legalidade da pesquisa suspensa pelo TSE. Segundo o instituto, as perguntas sobre intenção de voto foram respondidas antes da exibição do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A empresa também declarou que os participantes não podiam retornar para alterar respostas após o contato com o conteúdo audiovisual.
O caso dividiu especialistas em direito eleitoral, estatística e pesquisas de opinião. Parte dos analistas considera que a suspensão cria um precedente preocupante para a liberdade de divulgação de pesquisas. Outro grupo entende que a Justiça Eleitoral pode analisar eventuais riscos de contaminação metodológica quando existem dúvidas sobre a estrutura do questionário.














