
“O IVAR de junho de 2026 registrou alta de 0,10%, resultado mais moderado do que a coleta em maio, refletindo principalmente o recuo mensal dos aluguéis em São Paulo — mercado de maior peso na composição do índice. Esse movimento localizado foi suficiente para conter o resultado agregado, mesmo com a manutenção de reajustes positivos nas demais capitais pesquisadas. Com isso, uma taxa acumulada em 12 meses voltou a desacelerar, interrompendo uma trajetória de prosperidade vivida em maio. Esse comportamento é vigoroso com o cenário que venho descrevendo: o patamar ainda restritivo da taxa de juros segue limitando a capacidade de repasse por parte dos locadores, ao mesmo tempo em que a moderação do IPCA e do IGP-M reduz o piso dos aumentos.”, afirma Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
Aluguel mais caro: Rio lidera altas em junho e São Paulo é única capital com rompimento no bolso
Morar sozinho ou mudar de apê ficou mais caro na maior parte do país em junho de 2026. É o que mostra os dados do Índice de Variação dos Aluguéis Residenciais (IVAR), divulgados pelo FGV IBRE nesta terça-feira (7). Três das quatro principais capitais pesquisadas registraram altos preços de locação.
O Rio de Janeiro liderou o ranking de aumentos mensais, com avanço de 0,35%. Logo atrás aparecem Belo Horizonte, com alta média de 0,34%, e Porto Alegre, onde o salto foi de 0,33%. Na contramão, São Paulo se destacou como a única cidade a dar um refresco para o bolso dos inquilinos, registrando queda de 0,19% nos contratos.

No cenário geral, o IVAR fechou o mês com uma variação de nível de 0,10%, mas o acumulado dos últimos 12 meses já chega a 4,46%. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o mercado ainda segura repasses maiores por conta da macroeconomia: “O patamar ainda restritivo da taxa de juros segue limitando a capacidade de repasse por parte dos locadores”.
O cenário nos últimos 12 meses: disparada no RJ e recuo em SP
Quando a análise olha para o acumulado do último ano, o comportamento das cidades muda bastante:
Aceleração: O Rio de Janeiro teve uma escalada maior, onde a taxa em 12 meses saltou de 2,10% em maio para 5,87% em junho. Belo Horizonte seguiu o mesmo ritmo de alta, subindo de 5,28% para 7,07%.
Desaceleração: São Paulo foi a cidade com o ajuste mais intenso no ano, despencando de uma alta anterior de 7,56% para os atuais 3,95%. Porto Alegre também desacelerou, mas de forma sutil, recuando de 3,71% para 3,06%.

O que é o IVAR? sua funcionalidade e importância
O IVAR é calculado a partir de dados reais de contratos de aluguel residencial nas cidades de São Paulo , Rio de Janeiro , Belo Horizonte e Porto Alegre . Esses dados são obtidos diretamente com empresas do setor imobiliário, oferecendo um retrato mais fiel dos valores efetivamente pagos pelos inquilinos. Ou seja, o índice não se baseia em anúncios ou estimativas, mas nos contratos reais firmados no mercado.
Ele pode ser um grande aliado na profissionalização do setor imobiliário, ajudando tanto os administradores quanto os proprietários a tomarem decisões que os ajudem a ter menos judicialização. Mas, sem visibilidade, muitos profissionais continuam sendo orientados por referências do IGPM , que seriam, assim, desatualizados para a classe residencial. A falta de informação sobre o IVAR acaba sendo um obstáculo para a modernização e eficiência do mercado de locação no país.
Além disso, enquanto muitos profissionais do setor imobiliário continuam utilizando índices desatualizados ou mais específicos ao setor comercial, como o próprio IGP-M, o IVAR traz um olhar mais ajustado à realidade das locações residenciais. Com ele, administradores e proprietários podem tomar decisões mais estratégicas e até mesmo evitar judicializações relacionadas a reajustes abusivos ou mal embasados.













