BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADO DE CAPITAIS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Vale a pena gastar bilhões para eleger essa classe de políticos?

Carlos HonoratoPor Carlos Honorato
10/06/2026

Em 1º de junho, o Tesouro repassou ao TSE R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral para bancar as campanhas de 2026 — o maior valor da história. Dois dias depois, soube-se que, sozinho, o PL ficará com R$ 881,7 milhões, recorde absoluto para uma única legenda; somados a PT com R$ 615 milhões, União Brasil com R$ 526 milhões e PSD R$ 421 milhões. Os três partidos primeiros partidos abocanham 40% do bolo. A notícia foi tratada como rotina orçamentária. A pergunta que importa, porém, nunca é “quanto foi destinado?”, mas “o que isso significa e o que recebemos em troca?”.

Vale somar as parcelas antes de julgar. Além dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral — que só existe em ano de pleito —, os partidos recebem cerca de R$ 1,4 bilhão por ano de Fundo Partidário, pago mês a mês para manter estruturas, salários e aluguéis. São mais de R$ 6,3 bilhões de dinheiro público irrigando a política num único ano. Para dimensionar a escalada: em 2018, o Fundo Eleitoral foi de R$ 1,7 bilhão. Em oito anos, quase triplicou. Num país com mais de 150 milhões de eleitores, é como se cada um financiasse, sem ser consultado, cerca de R$ 40 da máquina partidária.

Mas o custo da política não cabe no Fundão. O verdadeiro lastro do poder está nas emendas parlamentares: R$ 61 bilhões em 2026, contra R$ 50,5 bilhões em 2025. Desse total, quase R$ 50 bilhões são de execução obrigatória — o governo é obrigado a pagar, queira ou não. Metade das emendas individuais precisa ir para a saúde, o que soa nobre; mas cerca de R$ 7 bilhões escoam como “emendas Pix”, transferências diretas a prefeituras com rastreabilidade frágil. Para abrir espaço a esse volume, o relator do Orçamento cortou Pé-de-Meia, Auxílio-Gás, seguro-desemprego e despesas previdenciárias — algo em torno de R$ 6,3 bilhões retirados justamente de quem mais depende do Estado.E, para fixar a desproporção: as emendas de 2026 superam o próprio PAC, o programa de investimentos do governo, orçado em R$ 52 bilhões. Distribui-se mais em moeda política do que se investe no futuro do país. Gastos sem estratégia, sem prioridade apenas para saciar a sanha das emendas.

Isso não significa que eu concorde com políticas assistenciais dessa natureza, o melhor sempre foi transferir renda diretamente para a líder da casa, a mulher, em dinheiro vivo, ou em pix e nada de programas “leve-isso” “leve-aquilo” – transferência direta na conta do beneficiário, mas isso é outra história.
Agora, a moldura macro. O Brasil fechou 2025 com déficit nominal de R$ 1,06 trilhão — 8,34% do PIB — e seguia, no início de 2026, acima de R$ 1 trilhão no acumulado de doze meses. A dívida bruta caminha para perto de 100% do PIB ainda nesta década, empurrada pela bola de neve dos juros: quanto mais alta a Selic, mais caro carregar a dívida; quanto maior a dívida, maior o déficit; e assim por diante.

Diante desse quadro, é tentador apontar o Fundão como vilão fiscal. Seria um erro de análise. Os R$ 4,9 bilhões representam menos de 0,5% do rombo nominal: cortá-los inteiramente não conserta a conta. Aqui mora a primeira armadilha narrativa — a indignação fácil com o “fundão” é fiscalmente irrelevante e desvia o olhar do que de fato pesa nas contas públicas.

Leia Mais

Brasil, um país sem ideologia

10 de junho de 2026
Foto: Gerada por IA

TSE adia julgamento sobre pesquisa AtlasIntel após pedido de vista

10 de junho de 2026

O problema, então, não é só o preço em si; é a relação entre preço e valor. A pergunta correta não é “a democracia é cara demais?”. Democracias custam, e o financiamento público nasceu em 2017 justamente para reduzir a dependência de doadores privados e o caixa dois — um avanço, não um capricho. A pergunta incômoda é outra: pagamos bilhões para eleger e sustentar uma classe política que entrega o quê? Quando o dinheiro se concentra em três siglas, quando as emendas viram moeda opaca de barganha entre Executivo e Congresso, e quando tudo isso convive com um déficit de trilhão e cortes em programas sociais, o que está em xeque não é o custo da urna — é o retorno sobre o investimento cívico.

O que pode acontecer a partir daqui? Vejo três trajetórias. Na primeira, prevalece a inércia: os fundos crescem, as emendas incham, e a desconfiança com a política se aprofunda até virar combustível antidemocrático — terreno fértil para quem promete “explodir tudo”. Na segunda, faz-se a reforma cosmética: corta-se o Fundão para acalmar a opinião pública, que já é passiva, sem tocar nas emendas, que são o verdadeiro centro de gravidade do poder. Na terceira, a mais difícil e a única que de fato importa: transparência radical sobre a destinação dos recursos, vinculação a resultados mensuráveis e regras que premiem renovação em vez de perpetuação.
Eleição cara não é, por si só, escândalo. Escândalo é pagar caro por representação barata. Antes de perguntar quanto custa votar, o Brasil precisa responder a uma questão mais desconfortável: o que, exatamente, estamos comprando — e porque aceitamos pagar tão bem por tão pouco.

*Carlos Honorato é economista, PhD e mestre em Administração, especialista em estratégia, cenários econômicos e Scenario Planning. É CEO da OUTPOD e professor da FIA Business School e do Albert Einstein.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

*Leia mais colunas do autor clicando aqui.

Foto: Gerada por IA

Foto: Gerada por IA

Leia

CEO da Azul vê aviação pressionada por combustível caro, judicialização e falta de crédito

TCU aprova com ressalvas contas do governo Lula de 2025

Vendas no varejo brasileiro sobem 2,8% em maio na base anual, mas recuam no mês

Inflação ao produtor na China atinge maior nível desde 2022 com alta da energia

Lula abre vantagem de 6 pontos sobre Flávio Bolsonaro em segundo turno, aponta Quaest

CPI dos EUA: Inflação americana acelera para 4,2% em maio com pressão do petróleo

EMPRESAS E NEGÓCIOS

CEO da Azul vê aviação pressionada por combustível caro, judicialização e falta de crédito

10 de junho de 2026

O setor aéreo brasileiro volta a acender um sinal de alerta em meio à alta dos combustíveis, à pressão de...

Leia maisDetails
CPI ESTADOS UNIDOS
ECONOMIA

CPI dos EUA: Inflação americana acelera para 4,2% em maio com pressão do petróleo

10 de junho de 2026

A inflação dos Estados Unidos voltou a ganhar força em maio. O índice de preços ao consumidor, o CPI divulgado...

Leia maisDetails

I am raw html block.
Click edit button to change this html

EMPRESAS E NEGÓCIOS

CEO da Azul vê aviação pressionada por combustível caro, judicialização e falta de crédito

10 de junho de 2026
Foto: Samuel Figueira/TCU
ECONOMIA

TCU aprova com ressalvas contas do governo Lula de 2025

10 de junho de 2026
Foto: Gerada por IA
ECONOMIA

Vendas no varejo brasileiro sobem 2,8% em maio na base anual, mas recuam no mês

10 de junho de 2026
Foto: Gerada por IA
POLÍTICA

TSE adia julgamento sobre pesquisa AtlasIntel após pedido de vista

10 de junho de 2026

Leia Mais

CEO da Azul vê aviação pressionada por combustível caro, judicialização e falta de crédito

10 de junho de 2026

O setor aéreo brasileiro volta a acender um sinal de alerta em meio à alta dos combustíveis, à pressão de...

Foto: Samuel Figueira/TCU

TCU aprova com ressalvas contas do governo Lula de 2025

10 de junho de 2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (10), por unanimidade, as contas do governo do presidente Luiz...

Foto: Gerada por IA

Vendas no varejo brasileiro sobem 2,8% em maio na base anual, mas recuam no mês

10 de junho de 2026

As vendas do comércio brasileiro cresceram 2,8% em maio ante o mesmo período do ano passado, mas recuaram 0,8% na...

Foto: Gerada por IA

TSE adia julgamento sobre pesquisa AtlasIntel após pedido de vista

10 de junho de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral adiou a análise da decisão que suspendeu a divulgação de detalhes de uma pesquisa do Instituto...

bmc news

BM&C News amplia presença global e chega aos Estados Unidos e Canadá

10 de junho de 2026

A BM&C News chegou aos Estados Unidos e ao Canadá. A emissora passa a integrar a programação da UVO TV,...

INFLAÇÃO CHINA

Inflação ao produtor na China atinge maior nível desde 2022 com alta da energia

10 de junho de 2026

A inflação ao produtor na China acelerou pelo terceiro mês consecutivo e atingiu em maio o maior nível desde julho...

quaest

Quaest: 55% dos brasileiros acreditam que tarifaço dos EUA pode afetar suas vidas

10 de junho de 2026

A pesquisa Genial-Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que 55% dos entrevistados acreditam que as novas tarifas impostas pelos Estados...

pesquisa quaest

Lula abre vantagem de 6 pontos sobre Flávio Bolsonaro em segundo turno, aponta Quaest

10 de junho de 2026

A pesquisa Genial-Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Lula com 44% das intenções de voto em um eventual...

CPI ESTADOS UNIDOS

CPI dos EUA: Inflação americana acelera para 4,2% em maio com pressão do petróleo

10 de junho de 2026

A inflação dos Estados Unidos voltou a ganhar força em maio. O índice de preços ao consumidor, o CPI divulgado...

TRUMP E IRÃ

Trump ameaça novos ataques ao Irã e tensão no Oriente Médio escala com troca de ofensivas

10 de junho de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (10) que está próximo de autorizar novos ataques contra alvos...

Veja mais

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar

Adicionar nova lista de reprodução

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRAZILIAN WEEK 2026
    • COMBUSTÍVEL BRASIL
    • CUSTO BRASIL
    • INOVAÇÃO TRAVADA
    • MERCADO DE CAPITAIS
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.