A última semana de junho e primeira de julho concentra uma das agendas macroeconômicas mais importantes das últimas semanas. O foco dos mercados estará dividido entre dados de mercado de trabalho nos Estados Unidos, indicadores de atividade econômica, inflação e os ajustes técnicos de carteiras que costumam ocorrer no encerramento de mês, trimestre e semestre.
Nos Estados Unidos, o principal destaque será o mercado de trabalho. A agenda inclui o relatório Jolts, a pesquisa ADP e o payroll, que será divulgado na quinta-feira (2), em razão do dia da Independência, observado no sábado e que terá o feriado antecipado para sexta. O relatório oficial de empregos reúne criação de vagas, taxa de desemprego e salário médio por hora, indicadores centrais para as próximas decisões do Federal Reserve.
A sexta-feira será de mercados fechados nos Estados Unidos, o que deve reduzir a liquidez global no fim da semana. “Fechamento de mês, trimestre e semestre acabam trazendo ajustes técnicos de carteira. Os principais gestores, investidores e participantes de mercado acabam ajustando e alinhando suas carteiras exatamente nesse período”, afirma Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News.
A combinação entre payroll antecipado, feriado americano e fechamento de semestre tende a aumentar a atenção aos movimentos técnicos de rebalanceamento de carteiras. Gestores e investidores institucionais costumam ajustar posições nesse período, em um movimento conhecido como window dressing.
No Brasil, a semana também será carregada. A agenda começa com IGP-M, Boletim Focus e resultado do Governo Central de maio. Ao longo dos próximos dias, o mercado acompanha balança comercial, Índice de Preços ao Produtor, produção industrial, PMIs industrial e de serviços, IPC-Fipe, Caged e a formação da PTAX de junho.
A PTAX de terça-feira será acompanhada de perto por causa da liquidação dos contratos cambiais que vencem na quarta-feira, 1º de julho. Também entra no radar a rolagem do contrato futuro de dólar de julho para agosto na B3, movimento que pode influenciar a dinâmica do câmbio no curto prazo.
A produção industrial será um dos principais dados domésticos da semana, por mostrar o ritmo da atividade em um ambiente de juros ainda elevados. O Caged também será observado após a divulgação da menor taxa de desemprego dos últimos anos pela PNAD Contínua, que reforçou a percepção de um mercado de trabalho aquecido.
Esse quadro mantém desafios para a convergência da inflação. A força do emprego pode sustentar renda e consumo, mas também amplia a cautela sobre os próximos passos da política monetária. O Relatório de Política Monetária do Banco Central trouxe interpretações divergentes entre economistas, mantendo elevada a atenção sobre a trajetória dos juros no segundo semestre.
Na Ásia, os investidores acompanham os PMIs industrial e de serviços da China. No Japão, a agenda inclui taxa de desemprego, produção industrial, PMI Industrial e PMI de Serviços. Os dados serão importantes para medir o ritmo da recuperação asiática em meio ao enfraquecimento do comércio global.
O Japão também permanece no radar por causa da forte desvalorização do iene, que segue nos menores níveis em cerca de 40 anos frente ao dólar. A moeda japonesa influencia expectativas sobre inflação, política monetária e fluxo de capitais na região.
Na Europa, a agenda será marcada por indicadores de atividade e inflação. A Zona do Euro divulga índices de confiança, PMIs industrial e de serviços, inflação ao consumidor e taxa de desemprego. Os dados serão fundamentais para avaliar o espaço do Banco Central Europeu para novos cortes de juros.
No Reino Unido, os investidores acompanham PIB, PMI Industrial e PMI de Serviços. Os números devem indicar se a economia britânica segue em desaceleração ou se apresenta sinais de estabilização após os últimos dados de atividade.
No mercado corporativo, o setor de inteligência artificial voltou a liderar os ganhos das bolsas americanas. A SpaceX voltou a negociar em patamares equivalentes aos do IPO, com expectativa em torno de sua entrada no Nasdaq 100. A Micron Technology também chamou atenção após divulgar resultados acima das expectativas.













