A agência de classificação de risco S&P Global Ratings manteve a nota de crédito soberano do Brasil em BB, com perspectiva estável, mas reforçou o alerta para a persistência das fragilidades fiscais do país.
Segundo a agência, os déficits do governo geral devem permanecer próximos de 7% do PIB nos próximos anos, mantendo a dívida pública em trajetória de alta.
A avaliação aponta que a principal dificuldade para melhorar as contas públicas está na rigidez do orçamento, que limita cortes de despesas e dificulta a geração de superávits primários.
Fatores de sustentação, segundo a S&P
Apesar do cenário fiscal desafiador, a S&P avalia que a posição externa sólida, as elevadas reservas internacionais e o câmbio flutuante continuam funcionando como importantes fatores de sustentação da capacidade financeira brasileira.
Ao confirmar o rating do Brasil, a agência destacou que a robustez das contas externas continua compensando parte dos riscos fiscais do país. A S&P ressaltou o desempenho das exportações de commodities, o elevado volume de reservas internacionais, o regime de câmbio flutuante e a profundidade do mercado financeiro doméstico como fatores que reduzem a vulnerabilidade da economia a choques externos.
Projeção de crescimento e ambiente político
A S&P projeta desaceleração do crescimento para 1,8% em 2026, refletindo o impacto dos juros elevados, da inflação persistente e do alto endividamento das famílias.
A agência também avalia que o ambiente político dificulta reformas estruturais e afirma não esperar mudanças significativas na condução da política econômica após as eleições de 2026.
O diagnóstico reforça as incertezas sobre a capacidade do país de implementar ajustes fiscais necessários no curto prazo.














