A indústria brasileira voltou ao centro do debate econômico em um momento em que grandes potências tratam produção, tecnologia e segurança econômica como temas estratégicos. Em entrevista exclusiva ao BM&C Talks, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, afirmou que o Brasil precisa ir além da simples retomada do parque fabril e avançar em uma agenda de neoindustrialização.
Segundo o ministro, o país passou por um processo de desindustrialização que reduziu a participação da indústria no PIB, enfraqueceu o mercado interno e comprometeu a capacidade de competir no exterior.
“Nós sofremos uma desindustrialização precoce e severa”, afirmou Márcio Elias Rosa.
Por que o governo fala em neoindustrialização?
Na avaliação do ministro, o desafio brasileiro não é apenas reconstruir fábricas ou recuperar estruturas industriais antigas. A ideia de neoindustrialização parte do reconhecimento de que o mundo mudou e que as cadeias globais de valor foram reorganizadas nos últimos anos.
Márcio Elias Rosa explicou que o termo reindustrialização poderia passar a imagem de uma simples recomposição do parque fabril. Para ele, a estratégia precisa ser mais ampla, envolvendo inovação, produtividade, sustentabilidade, comércio exterior e novas tecnologias.
O ministro citou a Nova Indústria Brasil, o PAC e a transição ecológica como partes de um conjunto de medidas estruturantes que, na visão do governo, buscam devolver protagonismo à atividade industrial. Ele também apontou gargalos que ainda pesam sobre a competitividade, como juros elevados, infraestrutura insuficiente e custo logístico.
Indústria é vista como eixo de crescimento
Durante a entrevista, o ministro defendeu que a indústria tem papel central na geração de empregos qualificados, na arrecadação de tributos, na atração de investimentos e na formação bruta de capital fixo. Para ele, nenhum país que busca crescimento sustentado pode abrir mão de uma base industrial forte.
A avaliação ocorre em um cenário internacional em que Estados Unidos, Europa e China passaram a tratar a indústria como instrumento de poder econômico. Nesse ambiente, o Brasil tenta reposicionar sua estratégia produtiva, combinando política industrial, inserção internacional e sustentabilidade.
Márcio Elias Rosa também afirmou que a política industrial brasileira precisa estar conectada ao comércio exterior. Segundo ele, uma indústria fortalecida não pode depender apenas do mercado interno, especialmente em setores de maior valor agregado e intensidade tecnológica.
Competitividade exige produtividade e sustentabilidade
Outro ponto destacado pelo ministro foi a necessidade de elevar a produtividade. Ele afirmou que a indústria brasileira precisa ser capaz de competir em mercados internacionais, atrair inovação e incorporar novas tecnologias.
Ao mesmo tempo, o ministro defendeu que a agenda industrial deve explorar vantagens brasileiras, como energia renovável, recursos hídricos, bioeconomia e menor emissão de gases de efeito estufa em determinadas cadeias produtivas.
Para Márcio Elias Rosa, o Brasil precisa avançar em áreas como minerais críticos, inteligência artificial e tecnologias ligadas à transição verde. Caso contrário, avaliou, o país corre o risco de permanecer com uma indústria fragilizada e presa a modelos do passado.
A neoindustrialização, portanto, aparece como uma tentativa de reposicionar o Brasil em um cenário global mais competitivo. O desafio será transformar vantagens potenciais em capacidade real de produção, inovação e exportação.













