O mercado de fundos começou 2026 com uma mudança relevante na alocação de capital no Brasil. Dados de mercado indicam que a captação líquida da indústria no 1º trimestre foi a maior para o período nos últimos 5 anos, em meio à busca por estratégias mais eficientes dentro da renda fixa. Nesse cenário, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios ganharam protagonismo, após liderarem os retornos da classe, com média próxima de 118% do CDI.
O movimento reforça o interesse de investidores institucionais por estruturas com retorno ajustado ao risco e maior previsibilidade. Ao mesmo tempo, amplia o papel dos FIDCs como canal direto de financiamento para empresas fora do sistema bancário tradicional.
“Os FIDCs ganham espaço porque conseguem conectar melhor o capital ao risco real das operações, com estruturas mais flexíveis e aderentes ao fluxo de caixa das empresas. Existe menos burocracia e mais eficiência na análise, o que torna o crédito mais funcional para quem está na ponta”, afirma Pedro Da Matta.
Segundo o executivo, a evolução da análise de crédito, com uso intensivo de dados, tecnologia e modelos mais sofisticados, tem permitido decisões mais rápidas e criteriosas. Esse ambiente favorece principalmente investidores institucionais, que concentram a maior parte dos aportes em busca de retorno ajustado ao risco. Historicamente, os fundos da Audax têm remunerado seus investidores com rentabilidade acima de 120% do CDI, dependendo da estrutura do fundo, refletindo a gestão eficiente e a transparência nas operações.
A digitalização e a especialização setorial também reforçam a expansão desse mercado. Estruturas mais modernas permitem reduzir o tempo de originação, ampliar a capacidade de avaliação e aumentar a proximidade com empresas. Em setores como agronegócio, indústria e serviços, onde o acesso a capital é decisivo para a operação, os FIDCs passaram a atuar como instrumentos estratégicos de financiamento.
Na Audax Capital, esse movimento se traduz em escala operacional. A companhia soma R$ 550 milhões sob gestão, já originou mais de R$ 7 bilhões em operações de crédito e registrou crescimento de 115% em 2025. A empresa também mantém índice de inadimplência baixo em relação a seus pares, com PDD abaixo de 1,0%. Além disso, o investimento em tecnologia se tornou um dos pilares da eficiência operacional, com a criação de um laboratório interno que recebeu mais de R$ 7 milhões em investimentos em 2025/26.

O avanço dos FIDCs ocorre em paralelo a uma reconfiguração mais ampla do crédito no país, marcada pela migração gradual para o mercado de capitais e pelo aumento da seletividade dos investidores. Para Pedro Da Matta, o cenário atual não indica retração, mas amadurecimento.
“O capital continua disponível, mas está mais criterioso. Isso favorece estruturas bem montadas, com governança, transparência e capacidade real de análise. Os FIDCs deixam de ser uma alternativa complementar e passam a ocupar um papel central na estratégia de financiamento das empresas”, afirma.














