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ECONOMIA

Armazenagem de grãos pode ser aliada no controle da inflação dos alimentos

O déficit de armazenagem no Brasil está no centro do debate sobre produtividade, inflação e segurança alimentar. Para Renato Arroyo, CFO da Kepler Weber, esse tema deve deixar de ser apenas logístico e passar a ocupar a linha de frente dos investimentos do setor agropecuário.

“Armazenagem talvez seja hoje o primeiro investimento que o produtor está disposto a fazer. Você melhora a qualidade do grão, reduz perdas e tem mais poder de decisão sobre quando vender”, explicou o executivo.

A Kepler Weber é a maior empresa de armazenagem de grãos da América Latina e vem ampliando sua presença tanto no Brasil quanto no exterior. Em um cenário de juros altos, crédito restrito e volatilidade de preços, Arroyo considera que a capacidade de estocagem se tornou um diferencial competitivo. “Se você tem armazenagem, você evita ser obrigado a vender num momento ruim. Sem ela, está à mercê do mercado”, pontuou.

Além dos benefícios diretos ao produtor, ele chama atenção para o impacto na inflação de alimentos: “A armazenagem ajuda a regular a oferta. Em vez de tudo ser escoado ao mesmo tempo, há controle. É uma ferramenta para mitigar a volatilidade de preços”.

Apesar dos avanços, o executivo reconhece os desafios estruturais. “Cerca de 30% dos recursos do PCA de 2024 chegaram de fato na ponta. Ainda falta financiamento para ampliar a cobertura de armazenagem no país”, afirmou. Ele lembra que muitos projetos exigem planejamento complexo e retorno de longo prazo, como no caso de portos e terminais.

Na América Latina, a Kepler ampliou sua atuação internacional em 79% no último ano, com destaque para Uruguai, Paraguai e o retorno da Argentina como cliente. Segundo Arroyo, o país vizinho tem potencial de produção de grãos de 140 milhões de toneladas, o que o torna um mercado cinco vezes maior que Uruguai e Paraguai somados. “A retomada da Argentina é uma oportunidade estratégica, ainda mais em um momento de melhora macroeconômica local”, disse.

Com o crescimento da produção agrícola e os gargalos logísticos persistentes, a tese de armazenagem deve seguir fortalecida. “É um setor que ganha relevância não só por eficiência, mas também por resiliência. E quem investir nisso hoje, vai colher com mais força amanhã”, concluiu Arroyo.

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Armazenagem de grãos pode ser aliada no controle da inflação dos alimentos