Pular para o conteúdo
Mercados
IBOV 188.269 +1.42% USD/BRL R$ 5,07 -0.41% EUR/BRL R$ 5,90 -0.32% BTC/BRL R$ 396.007 +0.98% PETR4 R$ 49,12 +1.45% VALE3 R$ 78,23 -1.10% WEGE3 R$ 52,17 +0.93% ITUB4 R$ 42,35 +1.83% BBDC4 R$ 18,48 +3.88% BBAS3 R$ 22,80 +2.80% BPAC11 R$ 60,45 +2.35% ABEV3 R$ 15,74 +1.03% CYRE3 R$ 26,17 +4.22%
Conteúdo de Marca

Inovação exige previsibilidade, e o Brasil ainda não entrega

O Brasil produz ciência, forma pesquisadores e investe em pesquisa. O que o país ainda não entrega é previsibilidade.

E, no mundo da inovação, previsibilidade não é detalhe, é condição básica.

Um dos gargalos mais evidentes está no sistema de patentes. A demora na análise pelo Estado reduz, na prática, o tempo de exclusividade de quem investe em inovação. O resultado é conhecido: projetos perdem valor, investimentos migram e centros de pesquisa escolhem outros destinos.

O problema não é conceitual. A solução já existe.

O que o mundo faz diferente

Economias líderes em inovação, como Estados Unidos, Japão e países da União Europeia, adotam o Patent Term Adjustment (PTA).

O mecanismo é simples: quando o Estado atrasa a análise de uma patente, o prazo de proteção é ajustado para compensar esse atraso.

Não é subsídio.
Não é privilégio.
É correção de falha estatal.

Ao garantir que a burocracia não corroa o direito do inventor, esses países criam um ambiente previsível para investimentos de longo prazo em áreas como biotecnologia, saúde, inteligência artificial, energia e telecomunicações.

O Brasil ainda não.
Sem previsibilidade, inovação não escala, ela migra.

Mesmo com a redução recente no tempo médio de análise de patentes, o país segue distante dos padrões internacionais. A melhora administrativa é necessária, mas insuficiente. Sem um mecanismo de compensação, o risco jurídico permanece.

Um exemplo prático desse custo é o Vonau Flash, medicamento desenvolvido no Brasil que demandou um longo ciclo de pesquisa, testes e registro. Apesar de se tratar de uma formulação conhecida internacionalmente, o processo de proteção e registro no país esteve sujeito a um intervalo prolongado de análise administrativa.

Nesse período, a incerteza sobre o prazo efetivo de proteção reduziu previsibilidade e valor econômico, ilustrando como atrasos estatais impactam decisões de investimento mesmo em projetos com viabilidade técnica e demanda clara.

Na prática, o investidor segue sem saber qual será o tempo efetivo de proteção de sua tecnologia. E, quando essa resposta é incerta, o capital simplesmente procura outro endereço.

Duas oportunidades no Congresso

O Congresso Nacional tem hoje duas vias para alinhar o Brasil às melhores práticas globais.

A primeira é o PL 2210/2022, que moderniza a Lei de Propriedade Industrial. A Emenda nº 4 incorpora o PTA ao sistema brasileiro, garantindo que atrasos do INPI não reduzam o período efetivo de proteção das patentes.

A segunda é o PL 5810/2025, de autoria do deputado Capitão Alberto Neto, dedicado exclusivamente à implementação do PTA. O texto prevê ajustes de até cinco anos para patentes afetadas por atrasos na análise, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal na ADI 5.529, que reconheceu a necessidade de corrigir falhas atribuídas ao próprio Estado.

Duas propostas diferentes, o mesmo diagnóstico: o modelo atual não funciona.

O que está em jogo

A adoção do PTA não resolve todos os desafios da inovação no Brasil. Mas a sua ausência garante que o país continue perdendo investimentos, talentos e relevância tecnológica.

Com o PTA, o Brasil ganha:

  • previsibilidade jurídica;
  • maior atratividade para centros de P&D;
  • estímulo ao investimento privado em inovação;
  • alinhamento às práticas internacionais.

Sem ele, segue penalizando quem assume risco e aposta em conhecimento.

Uma agenda de interesse público

O debate é liderado pelo Movimento Brasil Pela Inovação, uma coalizão multissetorial formada por ABBI, ABPI, CropLife, Interfarma, IBCIS e ILM. O grupo atua para fortalecer a segurança jurídica, modernizar o ambiente regulatório e criar condições reais para que a inovação aconteça no país.

Inovação exige capital, tempo e risco.
O que ela não pode exigir é que o inventor pague pela ineficiência do Estado.

O Brasil já sabe qual é o caminho.
A decisão agora é política.

Mais informações: https://brasilpelainovacao.com.br/

INOVAÇÃO TRAVADA
Inovação exige previsibilidade, e o Brasil ainda não entrega. Foto: Freepik