A transformação da economia global e a mudança no comportamento do capital internacional vêm alterando a forma como grandes investidores avaliam mercados emergentes. Mais do que crescimento acelerado, o foco passou a recair sobre produtividade, eficiência operacional, capacidade de execução e aplicações práticas de tecnologia. Nesse novo cenário, o SoftBank passou a enxergar a América Latina, especialmente o Brasil, como uma das principais plataformas globais para expansão de serviços digitais, automação e aplicações de inteligência artificial voltadas à economia real.
O interesse do SoftBank pela região não é recente. Segundo Alex Szapiro, CEO do SoftBank, o grupo investe na América Latina desde 2019 e já alocou US$ 8 bilhões no mercado regional, com mais de 67 empresas no portfólio.
“A região combina empreendedores criativos, modelos de negócio com potencial de escala e capacidade de adaptação tecnológica.”, avalia.
A mudança reflete uma transformação mais ampla na lógica do capital global. Depois de anos marcados por liquidez abundante e expansão acelerada das empresas de tecnologia, investidores passaram a priorizar modelos de negócio capazes de transformar inovação em eficiência, ganho de escala e geração sustentável de valor.
“O capital global hoje não procura apenas crescimento. Procura produtividade, eficiência e capacidade de execução”, afirmou o CEO do SoftBank para a América Latina, Alex Szapiro, ao comentar a mudança de comportamento dos investidores internacionais.
Segundo ele, o ambiente econômico global passou por uma transformação estrutural nos últimos anos.
“O mundo mudou. O capital ficou mais seletivo e passou a priorizar eficiência, geração de caixa e sustentabilidade dos negócios”, disse.
Brasil ganha destaque
O Brasil ganhou relevância dentro dessa estratégia por reunir características consideradas importantes nesse novo ciclo econômico, como um ecossistema financeiro digital avançado, forte capacidade de adaptação tecnológica, escala de mercado e ambiente favorável ao desenvolvimento de soluções digitais aplicadas.
“O Brasil tem um dos mercados de capitais mais avançados do mundo. A taxa de juros alta também estimula criatividade e inovação financeira”, afirmou Szapiro.
A digitalização acelerada do sistema financeiro brasileiro, o avanço das fintechs, a adoção de meios de pagamento digitais e a capacidade de integração tecnológica em setores como varejo, logística, serviços e infraestrutura passaram a ser vistos como diferenciais competitivos relevantes.
Nesse contexto, tecnologia deixou de representar apenas crescimento potencial e passou a funcionar como instrumento de produtividade. Aplicações ligadas à inteligência artificial, automação, processamento de dados e infraestrutura digital passaram a influenciar diretamente eficiência operacional, experiência do consumidor e competitividade empresarial.
IA reforça movimento, aponta SoftBank
O avanço da inteligência artificial reforçou ainda mais esse movimento. O foco do mercado migrou da simples expansão tecnológica para a capacidade das empresas de utilizar IA, dados e automação para resolver problemas reais de eficiência, produtividade e escala.
Para Szapiro, o Brasil dificilmente liderará a infraestrutura global de inteligência artificial, dominada por grandes empresas internacionais de tecnologia e capacidade computacional. Ainda assim, ele avalia que o país pode ocupar posição relevante na camada de aplicações práticas da IA.
“O Brasil dificilmente vai liderar os modelos globais de IA, mas pode ganhar muito na camada de aplicações”, afirmou.
Na avaliação de Szapiro, Estados Unidos e alguns países da Ásia ainda estão à frente na infraestrutura pesada da inteligência artificial, que exige grandes investimentos em chips, energia, data centers e modelos fundacionais. A oportunidade brasileira, segundo ele, está mais próxima da camada de aplicações, em que empresas com grandes bases de dados podem usar IA para tornar sistemas, processos e serviços mais eficientes.
Szapiro também cita áreas em que o Brasil já demonstrou capacidade de desenvolver soluções tecnológicas relevantes, como logística, sistemas tributários e meios de pagamento.
A experiência brasileira com o Pix e com modelos digitais aplicados a setores complexos mostra que o país pode transformar desafios estruturais em soluções com potencial de escala.
SoftBank na Brazilian Week
A visão do SoftBank acompanha a tese de que empresas capazes de integrar inteligência artificial, automação e dados aos seus modelos de negócio terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos. O grupo ampliou investimentos globais em áreas ligadas a IA, infraestrutura computacional, automação e transformação digital.
A tese ganhou espaço nos debates da Brazilian Week, em Nova York, especialmente em encontros ligados a tecnologia, capital global e transformação produtiva. A percepção de que a América Latina pode se tornar uma plataforma relevante de inovação aplicada passou a ocupar posição central nas discussões sobre competitividade e crescimento no longo prazo.
A visão de oportunidade vem acompanhada de um alerta. Para Eduardo Vieira, sócio do SoftBank, o Brasil ainda enfrenta um descompasso entre seu potencial e a velocidade dos investimentos globais em inteligência artificial. Ele afirma que o país tem vantagens, como matriz energética limpa e capacidade tecnológica, mas precisa de uma política mais clara para atrair capital, infraestrutura digital e projetos ligados à nova economia.
“Dá tempo, mas não temos muito tempo”, afirmou Vieira.
Mais do que apostar em crescimento acelerado, o novo capital global passou a buscar empresas e economias capazes de transformar tecnologia em resultado concreto.
Em um ambiente econômico mais seletivo, produtividade, eficiência operacional e capacidade de execução passaram a funcionar como os principais critérios de competitividade e atração de investimentos no novo ciclo global.
*Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global.
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