A Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (15), investiga um conglomerado econômico do setor de combustíveis suspeito de fraudes fiscais, ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos para o exterior. Entre os alvos estão o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, e o empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a Polícia Federal, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
O que investiga a Operação Sem Refino?
De acordo com a PF, a Operação Sem Refino apura a atuação de um grupo do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras para ocultar patrimônio, dissimular bens e enviar recursos ao exterior. As investigações também miram possíveis fraudes fiscais e inconsistências relacionadas à operação de uma refinaria vinculada ao grupo econômico.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A operação também incluiu medidas de afastamento de função pública e contou com apoio técnico da Receita Federal.
Refit e Ricardo Magro estão no centro da investigação
O Grupo Refit, controlado por Ricardo Magro, é um dos principais focos da apuração. A empresa controla a antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e já vinha sendo citada em investigações relacionadas a dívidas fiscais e suspeitas de irregularidades no mercado de combustíveis.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal e por veículos de imprensa, Magro foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, instrumento usado para cooperação internacional em casos de pessoas procuradas pela Justiça.
Cláudio Castro é alvo de mandados de busca
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também está entre os alvos da operação. As buscas fazem parte das apurações sobre o setor de combustíveis e possíveis conexões entre agentes públicos e estruturas econômicas investigadas.
A operação ocorre em meio a investigações mais amplas relacionadas ao Rio de Janeiro, incluindo apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da ADPF 635/RJ, que trata da atuação de organizações criminosas e de possíveis conexões com agentes públicos no estado.
Quais crimes são apurados?
A investigação envolve suspeitas de crimes financeiros e fiscais. Entre os pontos apurados estão:
- sonegação de impostos;
- fraudes fiscais;
- ocultação patrimonial;
- dissimulação de bens;
- evasão de divisas;
- possíveis irregularidades no setor de combustíveis.
A Polícia Federal afirma que o grupo investigado teria usado uma estrutura empresarial e financeira para dificultar o rastreamento de patrimônio e movimentações de recursos.
Por que a operação é relevante para o setor de combustíveis?
A Operação Sem Refino chama atenção pelo volume de recursos bloqueados e pelo impacto potencial no mercado de combustíveis. O setor é considerado estratégico para a economia, por influenciar custos logísticos, inflação, arrecadação tributária e preços ao consumidor.
A suspeita de fraudes bilionárias no segmento também reacende o debate sobre fiscalização, concorrência e arrecadação de impostos em uma cadeia que envolve refinarias, distribuidoras, revendedores e consumidores finais.
Próximos passos da Operação Sem Refino
Com o cumprimento dos mandados e o bloqueio de ativos, a Polícia Federal deve aprofundar a análise de documentos, movimentações financeiras e vínculos societários das empresas e pessoas investigadas.
Até o momento, os envolvidos são tratados como investigados. As suspeitas ainda serão analisadas no decorrer do processo, e eventuais responsabilidades dependem do avanço das apurações e de decisão judicial.














