O capital global no Brasil segue em movimento, mas com critérios mais rigorosos. Em um cenário marcado por juros altos, tensão geopolítica e disputa tecnológica, investidores internacionais continuam buscando oportunidades, desde que os destinos sejam capazes de entregar mais do que potencial de crescimento.
A mudança ficou evidente nos debates da Brazilian Week 2026, em Nova York. O foco do investidor global deixou de estar apenas em histórias promissoras e passou a considerar, com mais peso, a capacidade de execução, a segurança jurídica, a produtividade e o uso da tecnologia para gerar valor real.
Para Alexandre Szapiro, CEO do SoftBank, o papel do venture capital vai além da simples alocação de recursos.
“Investir é só uma parte”, afirmou Szapiro, ao destacar que bons investimentos dependem de mercado relevante, empreendedores qualificados, talento, novos modelos de negócio e capacidade de escalar.
Tecnologia entra no centro da disputa por capital global
O próximo ciclo de valor deve ser puxado por empresas capazes de ganhar eficiência e escala com tecnologia. Inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura aparecem como áreas centrais para investidores que buscam modelos de negócios mais produtivos e competitivos.
Segundo Szapiro, o SoftBank observa oportunidades ligadas a mudanças estruturais na forma como as pessoas trabalham, estudam e geram valor.
“Tudo isso aqui é onde a gente está alocando capital”, disse o executivo, ao comentar os setores que devem concentrar investimentos nos próximos anos.
A velocidade da transformação tecnológica também foi destacada por Emerson Lima, fundador da Sauter Digital.
“O avanço da inteligência artificial tem sido rápido e diferente de ciclos anteriores, quando as empresas ainda tinham tempo para se adaptar depois da chegada de uma nova tecnologia”, destacou.
Brasil tem potencial, mas precisa avançar na execução
O Brasil aparece no radar dos investidores não porque já tenha resolvido seus problemas estruturais, fiscais ou regulatórios, mas porque reúne potencial em diferentes áreas. O desafio, segundo os entrevistados, é transformar esse potencial em confiança, investimento produtivo e crescimento sustentado.
Nesse contexto, segurança jurídica e capacidade de execução se tornam fatores centrais. O capital internacional busca ambientes em que seja possível planejar, investir, escalar negócios e capturar ganhos de produtividade com menor incerteza.
Eduardo Vieira, sócio do SoftBank, afirmou que o Brasil poderia estar atraindo mais investimentos em tecnologia, especialmente na área de data centers.
“O Brasil tem condições para competir nesse mercado, mas ainda precisa de uma política mais estruturada em inteligência artificial”, avalia.
Vieira citou que empresas como a OpenAI, investida do SoftBank, têm aberto data centers na Argentina, enquanto outras economias da América Latina, como o Paraguai, também vêm atraindo investimentos em tecnologia.
Para ele, o Brasil corre o risco de perder espaço se não avançar em uma agenda mais clara para o setor.
Setor produtivo é apontado como motor do desenvolvimento
Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, defendeu que o crescimento econômico depende diretamente da atuação do setor produtivo. Na avaliação dele, o poder público deve atuar como facilitador, criando políticas públicas e mecanismos de financiamento.
“O poder público é o facilitador”, afirmou Lima.
Segundo ele, quem comanda o desenvolvimento econômico de qualquer país é o setor produtivo, responsável por transformar oportunidades em produção, emprego, inovação e expansão econômica.
Inovação precisa virar valor real
Szapiro citou áreas em que o Brasil já desenvolveu soluções com alcance relevante, como logística, sistemas tributários e pagamentos. O executivo lembrou que o país possui desafios complexos, especialmente na área tributária, e que empresas capazes de resolver esses problemas localmente podem criar soluções aplicáveis em outros mercados.
O Pix foi citado como exemplo de avanço brasileiro na área de pagamentos. Para Szapiro, o sucesso do sistema mostra que o país tem capacidade de desenvolver soluções de escala, desde que consiga conectar tecnologia, eficiência e execução.
A mensagem central é que o novo capital não procura apenas narrativas de crescimento. Ele busca modelos de negócio capazes de entregar resultado. Para o Brasil, o desafio é provar que consegue transformar tecnologia, inovação e potencial econômico em valor real.
*Este conteúdo faz parte da cobertura especial Brazilian Week 2026 | BM&C News, projeto editorial que acompanha os principais debates sobre o Brasil no radar do capital global.
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