O Brasil voltou a despertar interesse do investidor internacional em um momento em que gestores globais buscam diversificar portfólios e reduzir a concentração em ativos americanos. Nesse contexto, a política doméstica passou a ocupar um papel mais relevante na análise sobre o país.
Durante painel realizado na sede da BlackRock, em Nova York, como parte da programação da Brazilian Week promovida pelo Money Report, Júnia Gama avaliou como o mercado enxerga os diferentes cenários eleitorais para 2026.
Lula é visto como um cenário conhecido
No campo político, Júnia ressaltou que a eleição presidencial de 2026 segue aberta, mas que o investidor já consegue trabalhar com cenários relativamente previsíveis.
Na visão da analista, uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não representa uma fonte de surpresa para o mercado.
“Se for Lula, o investidor já sabe como funciona. Sabe que o custo de capital pode continuar mais alto, mas é um ambiente cujas regras já são conhecidas.”
Ou seja, a continuidade do atual governo pode não ser o cenário ideal para parte do mercado, mas é considerada uma hipótese precificável.
Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como alternativa moderada
Ao analisar o campo da oposição, Júnia destacou o senador Flávio Bolsonaro como um nome que busca se apresentar ao mercado como uma versão mais moderada do bolsonarismo.
Segundo a analista, a estratégia é sinalizar compromisso com responsabilidade fiscal e uma agenda econômica mais pragmática, sem abandonar a preocupação com políticas sociais.
Na avaliação de Júnia, se esse posicionamento ganhar tração, o mercado pode passar a enxergar esse cenário como uma alternativa capaz de reduzir incertezas e melhorar a percepção de risco sobre o Brasil.
Congresso segue como contrapeso institucional
A analista também ressaltou o papel do Congresso Nacional como um freio à expansão de gastos e ao aumento da carga tributária.
Segundo ela, a composição majoritariamente de centro-direita do Legislativo limita o espaço para iniciativas baseadas exclusivamente em aumento de arrecadação.
Cenários políticos mais previsíveis
A principal mensagem da análise de Júnia Gama é que, em um momento em que o Brasil volta a ser observado pelo capital global, os principais cenários políticos para 2026 já começam a ser incorporados às avaliações dos investidores.
Seja com a continuidade do governo Lula, seja com o surgimento de uma alternativa competitiva na oposição, o mercado já trabalha com hipóteses consideradas relativamente previsíveis do ponto de vista político.
*Este conteúdo faz parte da cobertura especial Brazilian Week 2026 | BM&C News, projeto editorial que acompanha os principais debates sobre o Brasil no radar do capital global.
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