A JBS (JBSS32) reportou lucro líquido de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, em um período marcado por forte desempenho das operações no Brasil e da Seara, mas ainda pressionado pelo ciclo do gado nos Estados Unidos. A receita líquida consolidada da companhia somou US$ 21,6 bilhões entre janeiro e março, alta de 11% na comparação anual.
O Ebitda ajustado da companhia atingiu US$ 1,13 bilhão, com margem de 5,2%. Segundo a empresa, os resultados refletem a resiliência da estratégia multiproteína e geograficamente diversificada, que ajudou a compensar o ambiente adverso na operação de carne bovina norte-americana.
O CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, afirmou que a empresa manteve foco em eficiência operacional e geração de caixa ao longo do trimestre. Além disso, destacou que o cenário nos Estados Unidos segue desafiador devido à menor oferta de gado e ao aumento dos custos de aquisição de animais.
Na operação de bovinos nos EUA, a receita líquida foi de US$ 7,167 bilhões, enquanto o Ebitda ficou negativo em US$ 267 milhões, com margem de -3,7%. A JBS classificou o cenário como uma “tempestade perfeita”, diante da escassez de gado e da forte pressão nos custos.
Por outro lado, a JBS Brasil foi um dos destaques positivos do período. A unidade registrou receita líquida recorde para um primeiro trimestre, de US$ 3,789 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado alcançou US$ 168 milhões, avanço de 27,9% na comparação anual. A margem Ebitda subiu de 4,1% para 4,4%.
Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela demanda global aquecida, aumento dos preços e melhora no mix de vendas. Ainda assim, os custos mais elevados do boi gordo limitaram parte da rentabilidade. Dados do Cepea apontaram preço médio de R$ 338 por arroba no trimestre, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025.
A Seara também apresentou desempenho robusto, com margem Ebitda de 15,5% e receita líquida de US$ 2,379 bilhões. O crescimento foi sustentado tanto pelas exportações quanto pelo mercado doméstico, mesmo diante de desafios logísticos e geopolíticos em mercados estratégicos.
Já a operação de suínos nos Estados Unidos, a JBS USA Pork, registrou receita líquida recorde para um primeiro trimestre, de US$ 2,032 bilhões, com margem Ebitda de 13,5%. A companhia destacou a forte demanda doméstica por proteínas mais acessíveis e a expansão de produtos de maior valor agregado.
Na Austrália, a empresa reportou receita líquida de US$ 2,145 bilhões, apoiada pelo aumento dos volumes vendidos no mercado interno e externo. A margem Ebitda da unidade ficou em 6,2%.
A alavancagem da companhia encerrou o trimestre em 2,77 vezes dívida líquida sobre Ebitda. Segundo a administração, a JBS alongou o perfil da dívida para prazo médio de 15,6 anos, com custo médio de 5,7% ao ano e sem vencimentos relevantes até 2031.












