A relação entre China e Estados Unidos voltou ao centro das discussões globais durante o painel da BM&C News em parceria com o Manhattan Connection, evento que integrou a agenda especial da Brazilian Week 2026, em Nova York. Em um cenário marcado por tensões comerciais, reorganização das cadeias produtivas, disputa tecnológica e conflitos geopolíticos, especialistas analisaram como as decisões de Donald Trump e Xi Jinping seguem influenciando o humor dos mercados, a estratégia de empresas e a leitura de risco dos investidores.
O debate reuniu nomes como Caio Blinder e Lucas Mendes, do Manhattan Connection, William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, e Renato Ochman, advogado societário. A conversa abordou os impactos da rivalidade entre China e Estados Unidos e o papel que o Brasil pode ocupar em um cenário internacional mais seletivo e competitivo.
China e Estados Unidos evitam confronto direto
Para Caio Blinder, apesar da tensão entre as duas potências, a tendência é que Estados Unidos e China evitem uma confrontação direta. Segundo ele, o custo de um conflito mais amplo seria elevado não apenas para os dois países, mas também para o restante do mundo.
“O próprio Trump não é louco de repudiar a China”, afirmou Blinder.
Na avaliação dele, mesmo diante da imprevisibilidade de Trump, a expectativa é de prolongamento da trégua comercial entre os dois países.
Blinder destacou que a rivalidade entre China e Estados Unidos deve continuar influenciando decisões globais, mas sem necessariamente resultar em ruptura total. A disputa, segundo ele, exige atenção dos países que buscam se posicionar entre os dois polos de poder.
Tecnologia, tarifas e cadeias produtivas entram no centro da disputa
A tensão entre China e Estados Unidos vai além do comércio. Os Estados Unidos passaram a acelerar políticas ligadas à reindustrialização, segurança tecnológica e reorganização das cadeias produtivas. Ao mesmo tempo, a China avança como potência tecnológica, amplia sua rede de parceiros e busca cadeias produtivas mais resilientes.
Esse movimento ocorre em meio a um ambiente global mais instável, com conflitos geopolíticos elevando a percepção de risco. A guerra no Oriente Médio também entra no radar de investidores e governos, por seus potenciais impactos sobre inflação, juros e fluxos comerciais.
Lucas Mendes, do Manhattan Connection, avaliou que a relação entre Trump e China é marcada pela imprevisibilidade.
“Trump atua com blefes e incertezas, e isso dificulta a leitura sobre os próximos passos da política externa americana”, avalia.
China e EUA: Geopolítica pesa nas decisões dos investidores
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o curto prazo ainda é marcado por incerteza. Segundo ele, os conflitos globais podem manter a inflação elevada e pressionar os juros, enquanto investidores tentam entender até onde os riscos geopolíticos podem chegar.
“Em curto prazo, você fica com essa incerteza de uma inflação alta, que pode fazer com que os juros subam”, afirmou.
Na visão do estrategista, o Brasil precisa manter uma postura pragmática e negociar com diferentes regiões e potências, incluindo Oriente Médio, China e Estados Unidos.
Castro Alves destacou que o país tem ativos relevantes para esse novo cenário, como terras raras, energia em abundância e capacidade de oferecer recursos demandados pela economia global. Para ele, o potencial existe, mas precisa ser acompanhado de pragmatismo e menor influência de disputas ideológicas.
Brasil tenta ocupar espaço no novo cenário global
Durante o painel, a leitura dos especialistas foi de que o Brasil pode ganhar relevância em um mundo no qual empresas e governos buscam diversificar parceiros, reduzir riscos e reorganizar cadeias produtivas. Energia, agronegócio, minerais críticos e capacidade de expansão industrial aparecem como pilares dessa estratégia.
Renato Ochman, advogado societário, afirmou que o Brasil permanece no radar do investidor estrangeiro. Segundo ele, o país está sempre no pipeline de análise internacional e segue sendo visto como uma fonte de oportunidades.
“Toda a questão geopolítica impacta muito a questão dos negócios, o custo dos negócios”, afirmou Ochman.
Para ele, o interesse estrangeiro pelo Brasil continua relevante, especialmente em um momento em que empresas e governos reavaliam cadeias globais e buscam alternativas de investimento.
Brasil deve evitar dependência de um único lado
Na avaliação de Caio Blinder, o Brasil é um país atraente para investimentos, mas precisa evitar dependência excessiva de apenas um dos lados da disputa entre China e Estados Unidos. Para ele, independentemente do governo em exercício, o país deve buscar autonomia e tirar proveito da rivalidade entre os dois gigantes.
A leitura dos especialistas é que o Brasil pode ganhar espaço ao atuar de forma pragmática, preservando relações comerciais e diplomáticas com diferentes blocos. Em um mundo de maior competição por capital, tecnologia, energia e produção, o país tenta se posicionar como parceiro estratégico em áreas consideradas essenciais para a economia global.
O debate realizado pela BM&C News e Manhattan Conection dentro da programação especial da Brazilian Week 2026, reforçou que a disputa entre China e Estados Unidos deve continuar no centro das decisões de governos, empresas e investidores. Para o Brasil, o desafio será transformar posição geopolítica, recursos naturais e capacidade produtiva em estratégia de longo prazo.
*Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global.
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