O senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL à Presidência da República, não conseguiu concluir o registro de sua candidatura nesta quinta-feira (13) após sua equipe jurídica identificar uma alteração em sua filiação partidária no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em vez de aparecer vinculado ao PL, Flávio constava como filiado ao Partido Missão.
A campanha acionou o TSE para corrigir a situação e restabelecer a filiação ao PL. O prazo para apresentação do pedido de registro de candidatura termina nesta sexta-feira (14).
Inicialmente, a equipe do senador levantou a suspeita de um ataque hacker e informou que pretende procurar a Polícia Federal para apurar o episódio. O TSE, porém, declarou que não houve invasão ao sistema. Segundo o tribunal, a filiação foi cadastrada por um representante do Partido Missão.
Alteração ocorreu na noite de quarta-feira
A inconsistência foi percebida pelos advogados de Flávio Bolsonaro na manhã desta quinta-feira, quando o grupo retomou o preenchimento do registro da candidatura.
O processo havia começado na quarta-feira (12). Naquele momento, segundo a campanha, o senador ainda aparecia regularmente filiado ao PL.
A mudança teria sido registrada às 23h17 de quarta-feira. Após a alteração, as informações que já haviam sido inseridas pela equipe jurídica para o pedido de candidatura foram perdidas.
A prioridade agora é corrigir a filiação no sistema da Justiça Eleitoral para que o registro possa ser apresentado dentro do prazo.
Depois dessa etapa, a campanha afirma que pretende solicitar uma investigação da Polícia Federal para esclarecer como a mudança ocorreu às vésperas do encerramento do período para registro das candidaturas.
TSE nega ataque hacker
Embora integrantes da campanha tenham apontado inicialmente a possibilidade de uma ação hacker, o TSE informou que seus sistemas não foram invadidos.
De acordo com o tribunal, o registro da filiação ao Missão foi realizado por um representante da própria legenda.
O partido, que tem Renan Santos como candidato à Presidência, afirmou em nota que “foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”.
Segundo a legenda, seu sistema identificou a situação e tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas a ação teria sido rejeitada pelo TSE.
O Missão também afirmou ter tentado alertar o gabinete do senador anteriormente.
“O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos”, declarou o partido.
A sigla informou ainda que está tomando providências junto à Polícia Federal e ao TSE para identificar os responsáveis pelo episódio e que pretende disponibilizar às autoridades registros como logs, e-mails e endereços de IP.
Plano de governo segue previsto para esta quinta-feira
Flávio Bolsonaro pretendia registrar nesta quinta-feira tanto sua candidatura quanto o plano de governo.
Apesar do problema com a filiação partidária, a apresentação das propostas permanece prevista para ocorrer em uma transmissão pelas redes sociais.
O documento possui 70 páginas e foi batizado de “Para o Brasil Vencer o Atraso”. Segundo a campanha, a proposta busca apresentar medidas para o país, com atenção especial à economia.
Caso semelhante envolveu Lula em 2024
Um episódio semelhante ocorreu em 2024 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na ocasião, Lula apareceu no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao PL durante aproximadamente seis meses. O TSE anulou o registro e encaminhou o caso à Polícia Federal, que abriu investigação para apurar a ocorrência.
Depois do episódio, a Justiça Eleitoral reforçou as regras relacionadas aos registros de filiação partidária.
No caso de Flávio Bolsonaro, a campanha aguarda a regularização do vínculo com o PL para concluir o pedido de candidatura antes do encerramento do prazo nesta sexta-feira.
















