O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) de abril de 2026 registrou alta de 0,52%. Com este resultado, a variação acumulada em 12 meses passou de 4,78% em março para 4,49% em abril.

No acumulado de 12 meses, o cenário também mudou em boa parte das capitais. Belo Horizonte teve a aceleração mais forte, saltando de 4,78% em março para 9,68% em abril de 2026. O Rio de Janeiro também ganhou ritmo, com a taxa passando de 2,60% para 4,82%. Em Porto Alegre, o índice subiu de 6,40% para 7,31%.
São Paulo foi a única capital a seguir na direção contrária. Mesmo sendo o mercado com maior peso no indicador, a cidade registrou desaceleração no acumulado anual, com a taxa caindo de 4,16% para apenas 0,86%. Esse movimento foi influenciado pela base de comparação mais alta de abril de 2025 e acabou segurando uma aceleração ainda maior do IVAR no resultado geral.
“O resultado do IVAR mensal, mas principalmente a variação acumulada em 12 meses, sugerem que o índice está em um período de menor volatilidade, que pode refletir a combinação de três fatores. O primeiro é o fato que venho reforçando, o patamar restritivo de taxa de juros sustenta a demanda por locações, mas tem um fator de amortecimento vindo da maior restrição orçamentária, que limita reajustes mais agressivos por parte dos locadores. O segundo fator está relacionado à moderação do IPCA, índice que passou a ser mais amplamente utilizado nos reajustes de contratos residenciais. Por último, o patamar atual de maior acomodação parece refletir o esgotamento do ciclo de catch-up do período pós-pandemia: os contratos que carregavam defasagens da forte aceleração inflacionária daquele período já foram, em sua maioria, renovados a preços de mercado ao longo de 2023 e 2024, secando o estoque de ajustes represados.”, analisa Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
O que é o IVAR ? sua funcionalidade e importância
O IVAR é calculado a partir de dados reais de contratos de aluguel residencial nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Esses dados são coletados diretamente com empresas do setor imobiliário, oferecendo um retrato mais fiel dos valores efetivamente pagos pelos inquilinos. Ou seja, o índice não se baseia em anúncios ou estimativas, mas nos contratos reais firmados no mercado.
O indicador pode ser um aliado na profissionalização do setor imobiliário, ajudando tanto administradoras quanto proprietários a tomar decisões que ajudem a ter menos judicializações. Mas, sem visibilidade, muitos profissionais continuam se guiando por referências IGP-M, que seriam, digamos assim, desatualizadas para classe residencial. A falta de informação sobre o IVAR acaba sendo um obstáculo para a modernização e eficiência do mercado de locação no país.
Além disso, enquanto muitos profissionais do setor imobiliário continuam utilizando índices desatualizados ou mais voltados ao setor comercial, como o próprio IGP-M, o IVAR traz um olhar mais ajustado à realidade das locações residenciais. Com ele, administradoras e proprietários podem tomar decisões mais estratégicas e até mesmo evitar judicializações relacionadas a reajustes abusivos ou mal embasados.
*Coluna escrita por Rui das Neves, administrador de empresas, investidor e possui vasta experiência no como incorporador imobiliário.
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