O IPCA-15 de maio subiu 0,62%, desacelerando em relação à alta de 0,89% registrada em abril. Apesar da perda de força no número cheio, o resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado, que apontava para avanço de 0,56%. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (27).
Em 12 meses, o índice acelerou para 4,64%, superando o teto da meta de inflação. O dado reforça a leitura de que a inflação brasileira segue resistente, mesmo com algum alívio pontual em componentes importantes do indicador.
Combustíveis ajudam, mas pressão continua
A queda dos combustíveis contribuiu para reduzir a pressão no grupo de transportes. Esse movimento ajudou a melhorar o resultado geral do IPCA-15 em maio, mas não foi suficiente para alterar de forma relevante o diagnóstico do mercado sobre o comportamento dos preços.
A composição do índice segue considerada desconfortável. Alimentos, energia elétrica e despesas com saúde continuaram pressionando o orçamento das famílias, mostrando que a inflação permanece espalhada por itens essenciais do consumo.
O que o IPCA-15 indica para o Banco Central?
A leitura qualitativa do IPCA-15 preocupa mais do que a desaceleração do número cheio. Para o mercado, o dado mostra que a inflação ainda apresenta resistência em setores relevantes da economia, o que mantém a cautela em relação aos próximos passos da política monetária.
Esse cenário reforça a necessidade de acompanhamento da convergência da inflação à meta. Mesmo com a desaceleração pontual em maio, a composição do índice ainda limita uma leitura mais favorável sobre o processo desinflacionário.
Leitura dos especialistas
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado de maio representa mais uma surpresa negativa no balanço qualitativo do IPCA-15.
“Chama atenção o comportamento dos bens industrializados, que parecem absorver os efeitos indiretos da alta recente do petróleo e das tensões no Oriente Médio, pressionando custos ao longo da cadeia produtiva”, avalia.
O núcleo de serviços permanece em patamar muito elevado, destaca o esecialista, o que é fonte de preocupação adicional para o Banco Central, que iniciou o ciclo de corte de juros no primeiro trimestre de 2026, já que essa rigidez sinaliza que as pressões inflacionárias têm componente estrutural além do choque de oferta.














