A comissão especial da Câmara deve votar nesta quarta-feira (27) a PEC que reduz a jornada de trabalho e promove o fim gradual da escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já sinalizou intenção de levar o texto ao plenário até quinta-feira, acelerando a tramitação.
A proposta prevê a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas, com queda definitiva para 40 horas após um período de transição. O tema ganhou dimensão política e econômica por envolver mercado de trabalho, produtividade, custo empresarial e qualidade de vida dos trabalhadores.
Governo trata a pauta como prioridade
O governo trata a proposta como prioritária pelo forte apelo popular. A votação é considerada decisiva para medir o apoio político real ao texto e definir o ritmo da tramitação antes da análise no Senado.
Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, elevar a produtividade e modernizar as relações de trabalho, aproximando o Brasil de modelos adotados internacionalmente.
Setor produtivo vê risco de aumento de custos
Empresários alertam para aumento de custos trabalhistas, necessidade de novas contratações e risco de informalização. A preocupação é maior em setores intensivos em mão de obra, como comércio, bares, restaurantes e serviços.
Entidades do setor produtivo defendem mais tempo para adaptação e maior flexibilidade por meio de negociação coletiva. A equipe econômica também monitora impactos paralelos, incluindo discussões relacionadas a microempreendedores.
Senado deve concentrar a próxima disputa
Mesmo com o avanço da PEC na Câmara, o Senado já se tornou foco central da articulação política. A sinalização é de que a proposta não será enterrada, mas deverá enfrentar forte debate sobre regras de transição e impacto econômico.
Parlamentares avaliam que uma implementação em prazo curto pode gerar choque operacional para empresas, aumentando a pressão por um cronograma mais longo. A disputa deixou de ser apenas sobre aprovar ou não a PEC e passou a girar em torno de como calibrar a transição, reduzir impactos econômicos e construir maioria política nas próximas etapas legislativas.














