No Money Report, da BM&C News, o apresentador Aluizio Falcão recebeu Daniella Marques, Lucas Vargas e Marcos Gouvêa de Souza para discutir como tecnologia, varejo e mercado financeiro estão redesenhando o acesso dos brasileiros a serviços financeiros, crédito, investimentos e consumo. A conversa conectou temas como autonomia financeira feminina, transformação do varejo, bancarização, Pix, câmbio, food service e internacionalização de investimentos.
Daniella Marques abriu o debate ao tratar da distância entre independência financeira e autonomia financeira das mulheres. Na avaliação da executiva, a presença feminina no mercado de trabalho avançou, mas muitas mulheres ainda não se sentem pertencentes quando o tema é dinheiro, o que leva à delegação de decisões financeiras dentro da família.
“A mulher conquistou a independência e foi pro mercado de trabalho. Ela assumiu novos papéis na sociedade, mas ainda não tem autonomia, porque ainda não se sente pertencente quando o assunto é dinheiro”, afirma Daniella Marques.
Varejo e serviços financeiros se aproximam
Marcos Gouvêa de Souza conectou a discussão ao comportamento do consumidor no varejo. Segundo ele, os canais digitais ampliaram a capacidade de comparação de preços, condições de entrega, logística e conveniência, criando um ambiente de competição mais intenso para empresas brasileiras diante de referências globais.
“O varejista brasileiro hoje é um benchmarking global na incorporação de serviços financeiros na sua atividade”, observa Marcos Gouvêa de Souza.
Câmbio, tecnologia e construção de confiança
Lucas Vargas levou a análise para o mercado de produtos financeiros transfronteiriços, como contas globais, cartões internacionais, câmbio e investimentos no exterior. Para o executivo, a adoção desses serviços depende não apenas de tecnologia, mas também de comunicação, confiança e uma jornada gradual de relacionamento com o cliente.
“É mais fácil de você confiar em um produto que vai te ajudar numa viagem do que transferir seu patrimônio para uma instituição que acabou de chegar no mercado”, explica Lucas Vargas.
Tecnologia como ferramenta de organização financeira
Daniella Marques também destacou o papel da tecnologia na organização da vida financeira das mulheres. A executiva afirmou que ferramentas digitais podem ajudar na gestão de tempo, orçamento doméstico, pagamentos, gastos recorrentes e construção de patrimônio, sem que isso exija transformar cada usuária em especialista em finanças.
“Eu não quero formar especialista em finança, eu quero formar mulheres que decidem melhor. E, para elas decidirem melhor, precisam ter disciplina e organização”, ressalta Daniella Marques.
Food service, informalidade e pequenos negócios
No varejo alimentar, Marcos Gouvêa de Souza chamou atenção para o peso das pequenas operações, especialmente mercearias e negócios ligados ao food service. Segundo ele, parte relevante desses estabelecimentos ainda opera com pouco acesso a tecnologia, crédito, educação empresarial e formalização, o que limita produtividade e crescimento.
“Então nós estamos desenvolvendo um projeto por iniciativa própria nossa, com apoio de alguns fornecedores e alguns parceiros, para levar para esses 450.000 ou parte desses 450.000 a alternativa de se desenvolverem”, detalha Marcos Gouvêa de Souza.
Bancarização, Pix e vida financeira global
A conversa também abordou a digitalização acelerada durante a pandemia, a expansão da bancarização e o papel do Pix como infraestrutura que elevou a expectativa do consumidor brasileiro sobre pagamentos instantâneos. Nesse ambiente, Lucas Vargas afirmou que a Nômade busca ampliar o acesso de brasileiros a produtos financeiros internacionais, combinando tecnologia, eficiência operacional e educação financeira.
“A Nômade cada vez mais tem mensagens, produtos, parcerias que ajudam a levar para um brasileiro um acesso a um produto de renda fixa, a uma renda variável, para ajudar na composição desse seu patrimônio diversificado”, aponta Lucas Vargas.
Nova etapa exige educação, acesso e confiança
A leitura comum entre os convidados foi que tecnologia, educação financeira e novos modelos de negócio passaram a caminhar juntos. Para investidores, empresas e executivos, o cenário exige atenção à mudança no comportamento do consumidor, à formalização de pequenos negócios e à ampliação dos serviços financeiros dentro e fora do varejo.
Ao final, o debate mostrou que inclusão financeira deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ocupar espaço estratégico na economia. A combinação entre bancarização, Pix, varejo digital, serviços globais e autonomia financeira tende a definir novas oportunidades para empresas que conseguirem transformar acesso em relacionamento, confiança e valor para o consumidor.














