BM&C NEWS
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNA
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNA
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Estrela pede RJ. “Banco Imobiliário” arrolado

Estevão Seccatto SeccattoPor Estevão Seccatto Seccatto
21/05/2026

A recuperação judicial da Estrela em 2026 não é um tropeço conjuntural. É a formalização tardia de um processo de deterioração que se arrasta há décadas e que agora aparece, de forma concentrada, num passivo sujeito à RJ de cerca de R$ 109,2 milhões, poucos meses depois de uma transação tributária firmada com a PGFN para equacionar aproximadamente R$ 747,8 milhões em débitos fiscais. A forma mais útil de ler essa história não é como “a crise de uma marca tradicional”, mas como a sucessão de ondas que foram desmontando a economia de um modelo de negócio concebido para outro Brasil e para outra infância.

A primeira onda foi a do choque estrutural dos anos 1990. A Estrela cresceu num ambiente de mercado relativamente fechado, com proteção implícita ao fabricante nacional, produção doméstica verticalizada, varejo físico dominante e baixa competição externa. Esse ambiente começou a ruir com a abertura comercial: a tarifa média de importação do país, que girava em torno de 45% em 1988, caiu para algo próximo de 13,6% em 1995.

No caso da companhia, o impacto foi direto e numericamente expressivo. A própria petição inicial afirma que o grupo sofreu queda de faturamento da ordem de 50% em apenas um ano e precisou reduzir seu quadro funcional de mais de 10 mil empregados para aproximadamente 1,5 mil. Ou seja: não se trata de uma abstração retrospectiva. Houve, de fato, um choque brutal de concorrência que destruiu as bases econômicas do arranjo em que a empresa havia prosperado.

A segunda onda foi a da sobrevivência defensiva. Depois do impacto inicial, a Estrela não desapareceu, mas passou a ganhar tempo por meio de reestruturação fabril, encolhimento operacional e postergação de obrigações. A inicial de 2026 é explícita ao dizer que o passivo tributário começou a se formar justamente nesse período, quando a companhia precisava simultaneamente indenizar trabalhadores, preservar empregos remanescentes e manter a atividade mínima. Em termos econômicos, isso significa o seguinte: a empresa preservou a operação à custa do balanço. A crise deixou de estar apenas no mercado e migrou para a estrutura de capital.

A terceira onda foi a constatação de que a abertura não era mais uma explicação suficiente. Mesmo depois do choque dos anos 1990, a indústria brasileira de brinquedos continuou submetida a competição assimétrica com importados asiáticos produzidos em escala muito superior, com outra estrutura de custos e outra integração logística. A própria petição sustenta que os efeitos da abertura se prolongaram ao longo dos anos e foram agravados pela entrada contínua de brinquedos de baixo custo, pela informalidade, pelo contrabando, pelo descaminho e, mais recentemente, pelo avanço do comércio eletrônico internacional com assimetria regulatória e tributária. Os números recentes ajudam a dimensionar o problema: em 2024, o setor registrou importações de US$ 334,4 milhões, contra exportações de aproximadamente US$ 11 milhões. Depois de trinta anos, portanto, “a abertura” já não opera como desculpa; ela vira apenas o ponto de partida de uma perda estrutural de competitividade que nunca foi revertida.

A quarta onda foi a mudança do próprio objeto de consumo. A Estrela deixou de concorrer apenas com outros fabricantes de brinquedo e passou a concorrer com celular, vídeo, plataformas digitais, aplicativos e games. Isso não é retórica. A própria empresa, na petição, enumera a ascensão das plataformas digitais e do entretenimento eletrônico entre as causas da crise, e os dados mais recentes sobre infância no Brasil mostram que 78% das crianças de 0 a 3 anos e 94% das de 4 a 6 anos têm contato diário com telas.

O brinquedo físico não desaparece, mas perde centralidade no orçamento e, sobretudo, na atenção. Para uma empresa construída sobre volume, recorrência e distribuição física, isso corrói a base econômica do negócio mesmo quando a marca ainda permanece viva no imaginário dos adultos.

A quinta onda foi a tentativa de adaptação comercial. Nos últimos anos, a Estrela buscou marketplaces, relançou clássicos, apostou em nostalgia, licenciamentos, colaborações e no público “kidult”, além de diversificar atividades com Estrela Beauty e Estrela Cultural. Isso mostra esforço real de reposicionamento. Mas também revela um limite importante: a marca conserva valor sobretudo junto à velha guarda, aos pais, colecionadores e adultos que cresceram com Banco Imobiliário, Genius, Autorama, Falcon, Susi ou Moranguinho. Entre consumidores mais jovens, sua relevância é muito menos orgânica e muito menos central. Em termos simples, a Estrela preservou memória de marca, mas não reconstruiu, na mesma proporção, centralidade econômica junto ao novo público.

Leia Mais

Eles não são para crianças! A verdade por trás do bilionário mercado de brinquedos para adultos

Eles não são para crianças! A verdade por trás do bilionário mercado de brinquedos para adultos

25 de dezembro de 2025

A sexta onda foi a financeira. O setor de brinquedos é intensivo em capital de giro, sazonal e dependente de financiar produção, estoques e distribuição antes das janelas decisivas de receita, sobretudo Dia das Crianças e Natal. Quando esse modelo encontra juros altos e crédito restrito, o custo financeiro deixa de ser um item acessório e passa a corroer a rentabilidade da própria operação. A petição insiste nisso ao relacionar a crise do grupo ao encarecimento do crédito, à elevação estrutural das taxas de juros e à necessidade de antecipar desembolsos relevantes muito antes da recomposição do caixa pelas vendas sazonais. Em uma empresa industrial pressionada ao mesmo tempo por importado barato, demanda mais difícil e mudança no padrão de consumo, isso é devastador.

Há ainda um ponto institucional: a Estrela já teve outras janelas formais de reorganização. Fontes públicas que trataram da grande transação tributária de 2025 mencionam duas recuperações judiciais anteriores, em 2004 e 2008, no histórico do grupo. Mesmo que cada episódio tenha ocorrido sob estruturas societárias específicas, a linha econômica é clara: esta não é a primeira vez que a companhia busca reorganização para ganhar tempo diante da erosão do modelo. A RJ de 2026, portanto, não inaugura a crise. Ela confirma que as tentativas anteriores não produziram uma recomposição estrutural de viabilidade.

A Estrela ainda é forte como memória para quem cresceu com ela, mas isso não significa que seja central para a infância de hoje. Marca conhecida pela velha guarda não paga custo fixo, capital de giro, dívida, investimento em produto nem competição com importado, tela e e-commerce global.

O dado decisivo, no fim, talvez seja menos o passivo sujeito à recuperação do que o passivo fiscal acumulado ao longo do tempo. Quando uma companhia sobrevive por décadas também via não pagamento de tributos e renegocia depois cerca de R$ 747,8 milhões com o Fisco, o que se vê é uma forma de subsídio indireto da sociedade à sobrevida de um modelo de negócios que já perdeu aderência econômica. O Fisco vira financiador involuntário. E, quando isso acontece por tempo demais, a recuperação judicial deixa de ser apenas um instrumento de reorganização financeira. Ela passa a ser a admissão de que o mercado já matou o modelo, mas a conta continuou sendo socializada.

*Coluna escrita por Estevao Seccatto, especialista em turnaround e reestruturação empresarial, com 20 anos de atuação e experiência em mais de 150 empresas de diferentes setores e portes. É professor na FIA Business School, autor dos livros “Salve Seu Negócio”, “Turnaround Bootcamp”, “Turnaround 100 Segredos” e “Psicologia da Crise”, além de apresentador do programa “Virando a Mesa”, da BM&C News. Engenheiro naval pela Poli-USP, possui extensões em economia, finanças, marketing e tecnologia por instituições como Harvard University, USP, Singularity e Duke, além de MBA em Banking pela FIA, mestrado em gestão pela University of Liverpool e doutorado em andamento em finanças pela Universidade de São Paulo.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

*Leia mais colunas do autor clicando aqui.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Leia

Petróleo fecha em queda com avanço de negociações entre EUA e Irã

Alcolumbre barra CPI do Banco Master e mantém investigação travada no Congresso

Cannes Lions nomeia Eddy Cue, da Apple, como Entertainment Person of the Year de 2026

Alta do petróleo e o ‘fantasma’ da estagflação: especialista avalia o dilema dos BCs

Caso Master: Alcolumbre barra abertura de CPI mista do Banco Master

GPA vende fatia na Stix, Vamos aprova recompra e Energisa fecha venda de ativos à Taesa

CPMI DO MASTER
CASO MASTER

Alcolumbre barra CPI do Banco Master e mantém investigação travada no Congresso

21 de maio de 2026

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, barrou novamente, nesta quinta-feira (21), o avanço de uma CPI...

Leia maisDetails
CPI BANCO MASTER
CASO MASTER

Caso Master: Alcolumbre barra abertura de CPI mista do Banco Master

21 de maio de 2026

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deve impedir novamente a abertura de uma CPI mista para investigar o caso Banco...

Leia maisDetails
petróleo
MERCADOS

Petróleo fecha em queda com avanço de negociações entre EUA e Irã

21 de maio de 2026
CPMI DO MASTER
CASO MASTER

Alcolumbre barra CPI do Banco Master e mantém investigação travada no Congresso

21 de maio de 2026
Créditos: depositphotos.com / rochu_2008
finanças

Quem controla a folha de pagamento controla o principal fluxo financeiro do trabalhador

21 de maio de 2026
cannes lions
CANNES LIONS

Cannes Lions nomeia Eddy Cue, da Apple, como Entertainment Person of the Year de 2026

21 de maio de 2026

Leia Mais

petróleo

Petróleo fecha em queda com avanço de negociações entre EUA e Irã

21 de maio de 2026

Os preços do petróleo encerraram a sessão desta quinta-feira em queda, após um dia marcado por forte volatilidade e avanço...

CPMI DO MASTER

Alcolumbre barra CPI do Banco Master e mantém investigação travada no Congresso

21 de maio de 2026

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, barrou novamente, nesta quinta-feira (21), o avanço de uma CPI...

Créditos: depositphotos.com / rochu_2008

Quem controla a folha de pagamento controla o principal fluxo financeiro do trabalhador

21 de maio de 2026

A folha de pagamento deixou de ser apenas uma rotina administrativa e passou a ocupar um papel estratégico na dinâmica...

cannes lions

Cannes Lions nomeia Eddy Cue, da Apple, como Entertainment Person of the Year de 2026

21 de maio de 2026

O Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions anunciou Eddy Cue, Vice-Presidente Sênior de Serviços e Saúde da Apple, como o...

petróleo e estagflação

Alta do petróleo e o ‘fantasma’ da estagflação: especialista avalia o dilema dos BCs

21 de maio de 2026

O avanço do petróleo em meio às tensões envolvendo Irã e Estados Unidos voltou a colocar uma palavra incômoda no...

preços dos combustíveis

Diesel, importação e abastecimento: a conta por trás do preço na bomba

21 de maio de 2026

O preço dos combustíveis no Brasil costuma ser discutido a partir do valor final pago pelo consumidor na bomba. Mas,...

otto lobo

Quem é Otto Lobo, aprovado pelo Senado para presidir a CVM

21 de maio de 2026

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (20), a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários, a...

daniel vorcaro delação

PF rejeita delação de Daniel Vorcaro por falta de provas relevantes

21 de maio de 2026

A Polícia Federal rejeitou nesta quarta-feira (20), a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master....

CPI BANCO MASTER

Caso Master: Alcolumbre barra abertura de CPI mista do Banco Master

21 de maio de 2026

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deve impedir novamente a abertura de uma CPI mista para investigar o caso Banco...

Flávio Bolsonaro acelera plano econômico para conter crise ligada a Vorcaro

21 de maio de 2026

A campanha de Flávio Bolsonaro acelerou a apresentação de um plano de governo para tentar deslocar o foco da crise...

Veja mais

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Bem-vindo!

Faça login na conta

Lembrar senha

Retrieve your password

Insira os detalhes para redefinir a senha

Conectar

Adicionar nova lista de reprodução

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AO VIVO 🔴
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • COLUNA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.