A transformação digital acelerou a integração entre tecnologia e estratégia empresarial, ampliando o papel dos dados e dos sistemas digitais na gestão corporativa. Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial, da conectividade e da automação trouxe novos desafios relacionados à segurança da informação e à gestão de riscos.
Nesse ambiente, temas como governança, risco e conformidade passaram a ocupar espaço relevante nas discussões de conselhos de administração e executivos. O assunto foi debatido no programa Conexão Segura, que reuniu especialistas para discutir como tecnologia, dados e segurança podem influenciar diretamente a competitividade e a longevidade das empresas.
“Você não consegue controlar o que você não mede. Então você precisa realmente trazer uma organização. Eu gosto muito de linkar governança com organização da casa, você precisa ter papéis bem definidos, indicadores bem definidos e saber como controlar as ações e as medidas que a gente toma”, afirma Ianno Soares.
Governança e dados na estratégia empresarial
A digitalização ampliou significativamente o volume de informações geradas dentro das organizações. Sistemas corporativos, plataformas digitais e operações conectadas passaram a produzir dados em grande escala, criando novas possibilidades de análise e planejamento estratégico.
Com acesso a informações mais estruturadas, áreas de negócio passaram a ter maior autonomia para avaliar desempenho, identificar riscos e direcionar investimentos. A qualidade e a organização dessas informações se tornaram fatores essenciais para melhorar a eficiência da gestão corporativa.
“Hoje é o que você falou, o novo petróleo é dado. Um conjunto de dados gera uma informação e isso facilita muito a tomada de decisão porque você passa a ter números que embasam as decisões”, destaca Ianno Soares.
Estratégia corporativa e tecnologia
A adoção de novas tecnologias, no entanto, exige planejamento estratégico e alinhamento com os objetivos da empresa. Sem uma direção clara, investimentos em inovação podem gerar complexidade operacional e resultados limitados.
Para especialistas em governança corporativa, a definição de estratégia continua sendo o ponto de partida para qualquer processo de transformação digital. Empresas que conseguem alinhar tecnologia, dados e planejamento estratégico tendem a extrair maior valor de suas iniciativas digitais.
“Para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve. A estruturação da estratégia realmente é um aspecto dos mais importantes para todo líder”, afirma Marcos Stahl.
Pessoas e cultura de segurança
Além da infraestrutura tecnológica, especialistas destacam que a segurança digital depende fortemente da atuação das pessoas dentro das organizações. A forma como funcionários utilizam sistemas, acessam dados e lidam com informações sensíveis influencia diretamente o nível de proteção corporativa.
Por esse motivo, programas de capacitação e conscientização vêm ganhando espaço nas empresas. A criação de uma cultura organizacional voltada à segurança digital ajuda a reduzir erros operacionais e aumenta a capacidade das equipes de identificar riscos no ambiente corporativo.
“Quem move o mundo são as pessoas. A gente precisa capacitar e conscientizar os usuários para que eles entendam o porquê das regras e saibam como agir diante dos riscos”, afirma Marcos Stahl.
Integração entre tecnologia da informação e operações
Outro tema discutido no programa foi a convergência entre tecnologia da informação (TI) e tecnologia operacional (OT), movimento cada vez mais comum em setores industriais, energéticos e de infraestrutura.
Essa integração permite que dados gerados em processos produtivos sejam analisados em tempo real por sistemas corporativos, ampliando a eficiência operacional e a visibilidade da gestão. Ao mesmo tempo, exige políticas de segurança robustas para proteger ambientes críticos.
“Existe uma necessidade real de convergência para melhorar a eficiência das operações, mas ao mesmo tempo temos que garantir a segurança operacional”, explica Rodrigo Leal.
Infraestrutura crítica e riscos operacionais
A crescente digitalização de setores estratégicos também ampliou a preocupação com a segurança de infraestruturas críticas, como energia, telecomunicações, sistemas financeiros e serviços de saúde.
A interconexão entre sistemas operacionais e corporativos traz ganhos relevantes de eficiência, mas também amplia a exposição a incidentes cibernéticos. Por isso, executivos e conselhos têm dedicado maior atenção ao impacto que falhas tecnológicas podem gerar na continuidade das operações.
“O board hoje está muito preocupado com o impacto operacional. A primeira pergunta que surge é se essa convergência entre os sistemas está realmente segura”, afirma Rodrigo Leal.
Tecnologia como vetor de valor — e de risco
Para executivos de tecnologia, o desafio das empresas não está apenas em adotar novas soluções digitais, mas em compreender como essas ferramentas influenciam o modelo de negócios e os riscos corporativos.
A tecnologia pode acelerar crescimento, ampliar eficiência e criar novos mercados, mas também pode gerar perdas relevantes quando não há controle adequado sobre dados, processos e segurança da informação.
“A tecnologia é a mesma que pode te levar para frente, criando novos negócios, mas se negligenciada também pode desconstruir valor e até quebrar o negócio”, afirma Márcio Neri.
Gestão de dados e decisões estratégicas
Nesse contexto, especialistas apontam que executivos precisam ampliar o entendimento sobre riscos digitais e qualidade das informações utilizadas no processo decisório. A confiabilidade dos dados passou a ser um fator determinante para a formulação de estratégias empresariais.
Empresas que conseguem estruturar governança de dados e integrar tecnologia às decisões corporativas tendem a ganhar vantagem competitiva em um ambiente econômico cada vez mais digital.
“Uma empresa precisa entender os riscos do seu negócio e das suas informações. A decisão estratégica depende diretamente da qualidade do dado que está sendo utilizado”, afirma Márcio Neri.











