Eles passaram a ser conhecidos por um apelido simpático: “fincluencers”. São os influenciadores digitais que produzem conteúdos sobre temas financeiros e que vêm ganhando cada vez mais audiência no Brasil.
Em pouco mais de cinco anos o número de seguidores passou de de 74 milhões para 310,7 milhões. O crescimento superior a 300% foi detectado pelo “FInfluence 10”, desenvolvido pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados). O estudo monitorou os influenciadores de finanças no Brasil no YouTube, X, Instagram e Facebook.
Felipe Nascimento fala de temas ligados à educação financeira desde 2013. Apresentador do “Papo de Dinheiro” na BM&C News, ele considera que para tratar do tema, é fundamental ter responsabilidade. “Esse crescimento mostra que o interesse por dinheiro virou parte do dia a dia das pessoas. Não é mais um assunto distante. E o que sustenta isso não é um vídeo viral, mas sim a consistência. Quem aparece, explica bem e ajuda de verdade, ganha espaço. Agora, quando a gente fala de dinheiro, não está falando só de número, porque são decisões que impactam a vida das pessoas. Por isso, quem produz conteúdo precisa ter responsabilidade, compromisso com informação de qualidade e consciência do impacto que isso gera”, destaca Nascimento.
O estudo divulgado recentemente revela também que o crescimento do setor vem sendo sustentado por consistência na produção de conteúdo, e não por picos isolados de viralização. O total de influenciadores de finanças avançou 12,6% no segundo semestre de 2025, totalizando 904.
Para Amanda Brum, CMO da Anbima, os dados mostram uma mudança na forma como a influência financeira se organiza nas redes. “O mercado continua crescendo, mas de maneira mais distribuída. Mesmo com mais criadores produzindo conteúdo, o engajamento total continua avançando. Isso indica que a audiência segue interessada em acompanhar discussões sobre investimentos e que o ecossistema não saturou, pelo contrário, ainda tem espaço para crescer”, diz.
Produção e audiência
O crescimento da audiência é acompanhado por uma expansão relevante na produção de conteúdo e por uma reorganização do papel das plataformas dentro do ecossistema. No segundo semestre de 2025, os influenciadores de finanças publicaram 468 mil conteúdos nas redes sociais, quase o triplo do volume registrado em 2020, quando cerca de 160 mil posts foram mapeados.
O aumento da oferta não diluiu o interesse do público. O volume de interações se aproxima de 1,3 bilhão no semestre, indicando que a base de seguidores se mantém ativa mesmo em um ambiente mais competitivo e com maior densidade de conteúdo.
Parte dessa dinâmica está associada à especialização das redes sociais. Instagram e YouTube ampliaram sua participação nas publicações, enquanto X e Facebook perderam espaço, sinalizando uma redistribuição mais estratégica dos formatos e da presença dos influenciadores.
O Instagram se consolida como principal canal de distribuição, com maior frequência de posts e engajamento. A média de interações por publicação avançou 27,4%, refletindo maior aderência aos formatos e à lógica do algortimo.
Já o YouTube reforça sua posição como ambiente de aprofundamento. Com uma tendência crescente de perfis, a plataforma segue concentrando conteúdos mais longos, didáticos e orientados à decisão, sustentando sua relevância na etapa de entendimento do investidor.













