A discussão sobre dólar e fortunas brasileiras ganhou espaço entre investidores diante da crescente busca por proteção patrimonial e diversificação internacional. O tema foi debatido no programa Global Wallet, da BM&C News, apresentado por Rafael Lara, com participação de Lucas Feitosa, diretor de parcerias institucionais da Avenue, e Caio Zylbersztajn, diretor da Nord Wealth.
Segundo Feitosa, o movimento de internacionalização das carteiras reflete uma mudança estrutural na forma como investidores brasileiros enxergam seus ativos.
“A dolarização deixou de ser algo tático para buscar retorno e passou a fazer parte de uma estrutura de vida financeira mais ampla”, afirmou.
O executivo destaca que, no passado, o acesso ao mercado internacional era restrito a investidores de maior patrimônio.
“Esse era um mercado mais nichado. Hoje o brasileiro percebe que o mercado internacional é para todos”, disse.
Na avaliação de Zylbersztajn, a diversificação internacional permite combinar dois objetivos importantes para a gestão de patrimônio: retorno e redução de risco.
“O grande benefício da alocação internacional é casar maximização de retorno com minimização de risco”, explicou.
Segundo ele, muitos investidores brasileiros concentram grande parte do patrimônio em ativos ligados à economia doméstica, como empresas, imóveis e renda fixa local. Isso aumenta a exposição aos ciclos econômicos do país.
“O investidor brasileiro muitas vezes já tem empresa, imóveis e ativos financeiros no Brasil. Ter uma parte do patrimônio fora ajuda a reduzir esse risco concentrado”, afirmou o diretor da Nord Wealth.
Entre os perfis que mais têm buscado a dolarização estão empresários, executivos de multinacionais e produtores do agronegócio, setores em que a renda e os negócios frequentemente já estão ligados ao comércio internacional.
Outro ponto destacado no debate é o comportamento do investidor em relação ao câmbio. Segundo os especialistas, muitos tentam identificar o momento ideal para comprar dólar, estratégia que costuma gerar decisões precipitadas.
“O investidor tenta acertar o momento do câmbio, mas o que realmente explica o resultado de um portfólio é a diversificação e a alocação de ativos”, disse Zylbersztajn.
Feitosa acrescenta que manter todo o patrimônio exposto a uma única moeda pode representar um risco adicional.
“Mesmo quem investe em renda fixa local continua 100% exposto ao Brasil. Ter ativos em dólar já cria uma diversificação importante”, afirmou.
Para os especialistas, a tendência é que a internacionalização das carteiras continue avançando entre investidores brasileiros, acompanhando um processo gradual de educação financeira e maior acesso a mercados globais.
Nesse contexto, a dolarização do patrimônio deixa de ser apenas uma estratégia de oportunidade e passa a ser vista como parte da construção de riqueza no longo prazo.













