O Boletim Focus desta semana, divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Banco Central, manteve estáveis as expectativas de inflação para 2026 e para a Selic, trouxe uma projeção de queda pela segunda semana consecutiva.
O mercado projeta uma taxa Selic em 12,00% ao ano em 2026, na semana passada, a projeção era de 12,13%. Para os anos seguintes, a previsão é de queda gradual, porém ainda em patamar elevado: 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029.
Inflação no Boletim Focus
A mediana das projeções para o IPCA de 2026 permaneceu em 3,91%, nível mais próximo do centro da meta contínua de inflação, de 3%. Para 2027, a estimativa teve uma leve queda de 3,80% em 3,79%, enquanto 2028 e 2029 continuam em 3,50%.
Sem mudança relevante na inflação projetada, o relatório indica que o principal fator limitador para cortes de juros permanece sendo a trajetória de médio prazo da economia, especialmente a política fiscal.
Crescimento moderado
O Boletim Focus também mostra atividade econômica contida. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 1,82% em 2026.
Para os anos seguintes, o crescimento permanece próximo de 2%, com 1,80% em 2027 e 2,00% em 2028 e 2029.
O cenário reflete uma economia operando sem aceleração relevante, influenciada pelo custo do crédito elevado.
A expectativa para o dólar em 2026 teve um leve queda para R$ 5,42, com estabilidade próxima de R$ 5,50 nos anos seguintes.
Fiscal continua no radar do Boletim Focus
O relatório aponta déficit primário de 0,50% do PIB em 2026, com melhora gradual, mas ainda sem superávit no horizonte projetado.
O resultado nominal segue elevado, próximo de -8,60% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público permanece ao redor de 70% do PIB.
Risco político e petróleo no radar da política monetária
O economista Maykon Douglas, projeta uma taxa Selic em 12,50% no fim deste ano, dado o fator político-fiscal e a rigidez da inflação de itens mais sensíveis à demanda, e um mercado de trabalho que seguirá apertado ao longo do ano.
“Se o dólar continuar favorecido pelo ambiente externo, o BC se valerá desse efeito desinflacionário e se sentirá mais confortável ao longo desse ciclo de cortes“, avalia.
Ele destaca que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã adicionou incerteza extra aos preços das commodities, sob a possibilidade de uma interrupção na oferta de petróleo pelo estreito de Ormuz.
“O impacto sobre a inflação, e como a política monetária doméstica reagirá a isso, dependerão da extensão desse possível bloqueio. Em caso de um evento rápido, os parâmetros mal devem mudar“, conclui.












