A indústria brasileira iniciou 2026 com perda de ritmo. A Sondagem Industrial divulgada nesta terça-feira (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o índice de evolução do número de empregados marcou 47,6 pontos em janeiro. Apesar da alta de 0,7 ponto frente a dezembro de 2025, o indicador permaneceu abaixo da linha de 50 pontos, nível que separa expansão de retração, indicando queda do emprego no setor. O resultado é o pior para meses de janeiro desde 2017.
A leitura do indicador reforça a desaceleração da atividade industrial na virada do ano, fenômeno que aparece também nos demais componentes da pesquisa.
Indústria brasileira: produção também recua
O índice que mede a evolução da produção industrial atingiu 44,9 pontos em janeiro, após subir 4 pontos na comparação mensal. Ainda assim, o número permaneceu em território contracionista e registrou o menor patamar para o mês desde 2022.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou em 66%, mesmo nível observado em dezembro. O percentual é o menor para janeiro desde 2019, sugerindo aumento de ociosidade nas fábricas.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o movimento vai além da sazonalidade típica do começo de ano.
“É comum que esses índices fiquem abaixo dos 50 pontos no início de cada ano, mas os resultados foram piores do que o usual. Isso reflete a queda da demanda por produtos industriais que ocorre desde o ano passado, consequência do patamar persistentemente alto da taxa de juros”, explicou.
Estoques abaixo do planejado
Os dados também mostram mudança no comportamento dos estoques. O índice de evolução do nível de estoques passou de 48,4 pontos em dezembro para 48,8 pontos em janeiro, indicando redução menos intensa dos volumes armazenados.
Já o indicador que mede a relação entre estoque efetivo e planejado caiu de 50,6 para 49,2 pontos, o que significa que as empresas começaram 2026 com estoques abaixo do esperado.
Expectativas melhoram
Apesar da leitura negativa do presente, os industriais projetam melhora para os próximos meses.
Entre janeiro e fevereiro, os indicadores de expectativa avançaram:
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demanda: de 52,7 para 54,2 pontos;
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compra de insumos e matérias-primas: de 52 para 52,8 pontos;
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número de empregados: de 49,9 para 50,4 pontos.
A expectativa de exportações permaneceu praticamente estável em 50,1 pontos.
A intenção de investimento da indústria caiu pelo segundo mês consecutivo, passando de 55,7 para 55,3 pontos entre janeiro e fevereiro. Mesmo com a queda, o índice permanece acima da média histórica de 51,6 pontos.
Leitura econômica da indústria brasileira
O conjunto dos indicadores sugere uma indústria ainda pressionada pelo custo do crédito e pela demanda enfraquecida, com emprego e produção em retração. Ao mesmo tempo, a melhora das expectativas indica que empresários enxergam possibilidade de estabilização ao longo do semestre, condicionada principalmente à trajetória dos juros e da atividade econômica.
A pesquisa ouviu 1.418 empresas, 590 pequenas, 483 médias e 345 grandes, entre 2 e 12 de fevereiro de 2026.













