Governadores e ministros fazem declarações sobre 7 de setembro

"Viva a independência", escreveu o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
Doria-goveno-SP
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Governadores usaram o Twitter nesta terça-feira, 7, para fazer pronunciamentos em defesa da democracia. O dia é marcado por protestos contra e a favor do governo federal – alguns deles, neste último caso, com caráter antidemocrático – convocados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e aliados, na esteira da queda da popularidade do chefe do Executivo.

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“Não podemos tolerar retrocessos. Que o Estado Democrático de Direito e os valores da liberdade sempre prevaleçam sobre o autoritarismo para o Brasil voltar a crescer, gerar empregos e diminuir as diferenças sociais. Viva a independência”, escreveu o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), disse nas redes sociais que só pode haver patriotismo com respeito às instituições. “Viva a Constituição, nosso escudo contra arruaceiros, milicianos e demais criminosos. Viva o Brasil!”, escreveu.

A defesa da democracia também marcou as manifestações dos governadores petistas Wellington Dias, do Piauí; Camilo Santana, do Ceará; e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte.

O governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania), defendeu a necessidade de instituições autônomas e independentes e o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), afirmou que o patriotismo só tem valor se acompanhado da defesa da democracia e da liberdade.

Sem citar o nome do presidente, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), criticou o mandatário. “Independência é comida no prato, e não fuzis”, escreveu.

A afirmação é uma referência a uma declaração de Bolsonaro de 27 de agosto, quando o presidente incentivou a população a se armar e chamou de “idiotas” os que dizem ser melhor comprar feijão do que fuzil.

Outras manifestações

Outros seis governadores usaram o Twitter para fazer manifestações de caráter neutro ou sem referências a Bolsonaro nesta terça-feira.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou que a data comemorativa da Independência do Brasil representa momento marcante para o País. “Uma data simbólica para nossa gente, que representa um momento marcante, um dos mais importantes que tivemos na história, a nossa emancipação política e o início da luta por um processo democrático onde as pessoas tivessem voz”, escreveu.

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, defendeu “honestidade, educação e trabalho sério.” Enquanto isso, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), publicou um vídeo que afirma que o 7 de Setembro é um “dia de todos os brasileiros.”

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), defendeu no Twitter uma sociedade unida, que respeite diferenças e proteja o meio ambiente.

Enquanto isso, o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), comemorou a data. “Orgulho de ser brasileiro!”, escreveu.

O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, Eduardo Leite, disse que foi um erro colocar Bolsonaro no poder, e “está cada vez mais claro que é um erro mantê-lo lá”. Na publicação em suas redes, o governador gaúcho destacou que entre as preocupações de Bolsonaro deveria estar a resolução de questões como o desemprego, a inflação, o desmatamento da Amazônia, além da pandemia da covid-19 no País. “Esses deveriam ser os inimigos do PR do Brasil, e não outros brasileiros”, pontuou.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) classificou as manifestações pró-governo deste 7 de Setembro de “fiasco” e disse que o presidente “seguirá sendo enquadrado pela democracia”.

“Depois do fiasco, Bolsonaro recorre a bravatas golpistas contra as instituições. Perdeu e seguirá sendo enquadrado pela democracia implantada com muitas dores, perdas e sangue. O fascismo não triunfará”, afirmou Renan, que é relator da CPI da Covid no Senado e um dos adversários políticos do Palácio do Planalto.

“Sem volta ao passado”, diz Barroso

 O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta terça-feira que o amor ao Brasil e à democracia une os brasileiros, sublinhando que não deve haver “volta ao passado”, em postagem no Twitter a propósito do feriado de 7 de Setembro.

“Brasil, uma paixão. Brancos, negros e indígenas. Civis e militares. Liberais, conservadores e progressistas. Desde 88, a vontade do povo: Collor, FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro. Eleições livres, limpas e seguras. O amor ao Brasil e à democracia nos une. Sem volta ao passado”, disse ele.

Barroso é um dos principais alvos das críticas do presidente Jair Bolsonaro e de simpatizantes do chefe do Executivo nas manifestações pelo Dia da Independência. O presidente do TSE é um opositor da adoção do voto impresso para urnas eletrônicas, proposta cara ao bolsonarismo que foi derrotada pelo plenário da Câmara recentemente.

O presidente do Congresso Nacional e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também usou o Twitter para se manifestar sobre o 7 de Setembro, fazendo um alerta sobre a democracia.

“Ao tempo em que se celebra o Dia da Independência, expressão forte da liberdade nacional, não deixemos de compreender a nossa mais evidente dependência de algo que deve unir o Brasil: a absoluta defesa do Estado Democrático de Direito”, destacou.

Pacheco não compareceu à cerimônia no Palácio da Alvorada em comemoração ao Dia da Independência.

Anfitrião da solenidade, Bolsonaro se desloca de helicóptero à Esplanada dos Ministérios, onde deve fazer um discurso para apoiadores na manhã desta terça.

Lula, Ciro, Doria e Mandetta alertam para a necessidade de defesa da democracia

Lula divulgou um vídeo no qual afirmou que o papel do presidente da República é manter acesa a confiança no presente e no futuro, especialmente numa data festiva, como o Dia da Independência. “Mas, ao invés de anunciar soluções para o País, o que ele faz é chamar as pessoas para a confrontação, é convocar atos contra os Poderes e contra a democracia, que ele nunca respeitou. Ao invés de somar, estimula a divisão, o ódio e a violência. Definitivamente, não é isso que o Brasil espera de um presidente”, disse Lula, que pediu atenção aos reais problemas da população, como o desemprego, a fome e o combate à pandemia.

Único “presidenciável oficial” até aqui, Ciro usou de estratégia semelhante, mas procurou destacar no vídeo que compartilhou o fato de vários setores da sociedade terem se manifestado na semana passada contra a escalada autoritária de Bolsonaro. “Aconteça o que acontecer nas ruas, a mensagem de liberdade deste 7 de Setembro já se firmou antes que amanhecesse o dia. Isso aconteceu quando nossas instituições começaram a reagir aos desvarios de um estúpido tiranete. Aconteceu quando expressivos setores do agro, da indústria e dos serviços começaram a alertar que não apoiam o rompimento da ordem democrática. Aconteceu quando vozes discretas, porém firmes, de dentro dos quartéis, mandaram claras mensagens para aqueles que trocaram a farda por falsas benesses. Quando mandaram dizer, a estes, que a maioria das Forças Armadas continua fiel à Constituição. E que não acompanhará nenhum desatino golpista.”

Doria abordou a data em dois post distintos. O tucano destacou que o País vive seu pior momento desde a ditadura. ” Precisamos de paz. Não há espaço para flertes autoritários. Democracia, liberdade e diálogo são alicerces da prosperidade e de um futuro melhor para o Brasil”, disse o governador, que também alertou para o risco de “retrocessos”.

Mandetta, que foi ministro da Saúde do governo Bolsonaro até o início do combate à pandemia no País – e deixou o cargo em março do ano passado justamente por discordâncias em relação à conduta adotada pelo presidente -, afirmou que o 7 de Setembro não pode ser o “nós contra eles”. “Não podemos aceitar o Brasil ser dividido assim, por discursos de ódio. Temos problemas reais que precisam ser atacados”, disse.

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*Com Estadão Conteúdo e Reuters

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