O mercado internacional de petróleo voltou a operar em alta após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã. Os contratos do Brent superaram os US$ 86 por barril, em meio ao aumento da percepção de risco sobre o fornecimento global da commodity.
A nova rodada de ataques elevou os temores de interrupções na circulação de petróleo pelo Oriente Médio. A região concentra parte relevante da produção mundial e abriga o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o comércio internacional de energia.
Estreito de Ormuz volta ao centro das tensões
O Estreito de Ormuz registrou novos ataques contra embarcações comerciais, aumento da presença militar e redução no fluxo de navios. Os Estados Unidos ampliaram as operações navais na região, enquanto o governo iraniano manteve a defesa do controle sobre a hidrovia.
Diante do ambiente de insegurança, empresas de navegação passaram a rever rotas, reduzir o número de embarcações e contratar seguros mais caros para cruzar o Golfo Pérsico. Aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz.
Por isso, uma restrição relevante na região pode afetar o abastecimento global e aumentar a volatilidade nos mercados de energia.
Trump anuncia bloqueio e cobrança sobre cargas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o restabelecimento do bloqueio naval contra embarcações iranianas e afirmou que pretende cobrar uma taxa sobre cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz.
Segundo o governo americano, os recursos seriam utilizados para custear as operações militares de proteção da rota marítima. Washington também reforçou a presença de tropas no Golfo Pérsico e ampliou as ações voltadas à proteção de navios comerciais e instalações estratégicas.
A proposta provocou reação da Organização Marítima Internacional. A entidade afirmou que a livre navegação em estreitos internacionais é protegida pelo direito internacional e questionou a existência de base jurídica para uma cobrança unilateral.
Irã amplia operações militares
O governo iraniano intensificou a resposta aos ataques americanos e ampliou suas operações na região do Golfo.
Segundo autoridades iranianas, bases ligadas aos Estados Unidos em países aliados e embarcações que atravessavam o Estreito de Ormuz foram atingidas.
A escalada aumentou o receio de que o conflito passe a envolver diretamente outros países do Oriente Médio. Aliados dos Estados Unidos elevaram o estado de alerta diante da ampliação das ações militares iranianas.
Negociações diplomáticas perdem força
As perspectivas de uma solução diplomática ficaram mais distantes após a retomada dos ataques. O cessar-fogo negociado anteriormente perdeu força, enquanto Washington e Teerã passaram a trocar acusações sobre o descumprimento dos entendimentos.
Catar e Omã continuam tentando preservar canais de diálogo entre os dois governos. A combinação de negociações diplomáticas e operações militares, porém, reduz a previsibilidade do cenário.
Alta do petróleo pressiona mercados
Além da valorização do petróleo, investidores passaram a buscar ativos considerados mais seguros diante das incertezas geopolíticas.
Economistas avaliam que um conflito prolongado pode pressionar a inflação mundial, elevar custos de transporte e produção e dificultar o trabalho dos bancos centrais. O cenário também pode manter os juros elevados por mais tempo.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “pirataria” a proposta americana de cobrar pela circulação no Estreito de Ormuz.
Lula afirmou ainda que o conflito já pressiona os preços dos combustíveis e dos alimentos no país.














